Quinta-feira, Março 12, 2009

138 – Eu digo um NÃO ao divórcio entre espiritualidade e verdade:

“Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.....” 1 Pedro 3:18ª – NVI

"E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. (...) Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres". João 8:32, 36 - NVI

Há algum tempo atrás decidi ler sobre espiritualidade. Percebi por ex.: a fertilidade devocional produzida no período entre a idade média e a reforma protestante. Longe, afirmar que a espiritualidade cristã começa em Lutero e Calvino ou que a verdade foi esquecida após a igreja primitiva e só veio a ser “re-descoberta” na reforma do século XVI. O problema é que alguns pastores atuais usam os pais medievais para defender uma tese sem fazer uma “exegese” dos escritos destes homens. Eles dizem que o mais importante no cristianismo é ter uma experiência com Deus (o que não há problema) desprezando o complemento racional (o que é problema). Os pais medievais não diziam isso haja vista o que está escrito no Opúsculo sobre a arte de meditar da autoria de Hugo de São Vítor:

“A meditação é a cogitação freqüente, que investiga o modo, a causa e a razão de cada coisa”
“Deve-se considerar nos afetos que sejam retos e sinceros, isto é, orientados para aquilo que devem sê-lo e segundo o modo com que devem sê-lo.”

Com isso, vemos que há o elemento racional regulando o afeto. E o elemento racional também regula (ou pelo menos caminha ao lado da) a experiência. Alguns usam os pais medievais para defender uma mística cristã desassociada da verdade. Já ouvi teólogo dizer que não importa acreditar na ressurreição histórica de Cristo e sim ter uma experiência de fé, assim, divorciando a espiritualidade da verdade. Dr. Augustus Nicodemus na conferência da editora Fiel para pastores e líderes em 2006 na sua palestra entitulada “Discernindo os tempos: tendências do evangelicalismo brasileiro” salientou o retorno desta espiritualidade medieval divulgada por pastores brasileiros influenciados pela linha de Henri Nouwen e similares. Estes defendem uma aproximação espiritual com Deus a parte de um conhecimento doutrinário da revelação proposicional de Deus, a saber, as Escrituras Sagradas. Isso mostra um certo misticismo da parte de alguns teólogos liberais que usam o termo mistério para negar qualquer axioma revelado na palavra de Deus. Será que é uma tentativa de neo-liberais dialogarem com neo-pentecostais apelando para uma mística em detrimento da verdade revelada? Para eles, o subjetivismo está acima da verdade.

Quando houve o 1º grande despertamento nos E.U.A em 1740, Jonathan Edwards pesquisou o fenômeno da experiência e concluiu que as afeições e experiências são de suma importância porém elas provem da verdade evangélica revelada nas Escrituras e tem como objetivo a glória de Deus e como fruto, a transformação de caráter e a santificação moldando o crente a imagem de Jesus Cristo. A meditação tem um papel fundamental nessa apreensão das verdades reveladas nas Sagradas Escrituras. A experiência legítima e genuína com Deus produz paixão pela verdade da parte do crente.

Na época de estudos do seminário, tive um professor que desmerecia a Teologia Sistemática nas suas preleções em sala de aula advogando que a mística era superior ao saber teológico. Pobre homem! Não sabe literalmente o que está lendo e o que está ensinando. Usando os pais medievais para ratificar a bobagem que ele estava ensinando. De fato, alguns pais medievais eram místicos demais. Vemos algo similar a este fenômeno hoje com o pseudo-pentecostalismo em nosso Brasil. Aquele homem desprezava o aspecto cognitivo na espiritualidade (o sistema de mundo para aquele homem era fechado pela dinâmica da causa e efeito) e dizia que Deus só pode ser conhecido por meio da mística. A Bíblia para aquele homem era apenas uma colcha de retalhos produzida por pessoas que queriam manter o poder e legitimar a sua comunidade particular. Isso não é verdade!

Mas há uma espiritualidade que deve ser buscada! O afeto, deleite, emoção, aspecto subjetivo do ser não é negligenciado pelo evangelho. Mas a fonte é a verdade (algo buscado pelos filósofos gregos). E a verdade se chama Jesus e está encarnada Nele. A palavra revelada e encarnada é a única forma de chegarmos a Deus e ter intimidade com Ele. É na obediência a Palavra de Deus na nossa união com Cristo que conhecemos mais Deus e crescemos com Ele para a glória Dele. A espiritualidade cristã não pode ser divorciada da verdade absoluta. Que Deus fortaleça seu povo no Brasil mantendo-nos com o coração aquecido pela verdade.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom, um tema atual que precisa chegar aos nossos pulpitos.

Forte Abraço

Alan

www.leidosentidocomum.blogspot.com

Juan de Paula disse...

Alan,

desculpe a demora para responder. Obrigado pela visita e comentário.

Bom blog: continue nesse bom ritmo.

Abs,
Juan