Quarta-feira, Julho 30, 2008

122: Devocional - Uma luz no fim do túnel


Parodiando “O Peregrino” de John Bunyan



Certa ocasião tive um sonho. Faz muito frio aqui em Itapeva e para quem está acostumado com o calor do Rio de Janeiro, noites de frio são propensas a me fazer ter pesadelos na madrugada, mas vamos ao sonho:



Eu estava em um túnel. Parecia de esgoto, tinha sujeira, aranha, ratos, morcegos, baratas, o lugar cheirava mal, mas eu sabia que era para estar ali. Eu corria sem parar atrás de uma luz no final do túnel que periodicamente clareava o caminho. Os bichos tentavam me atacar, eram nojentos, mas eu conseguia pular por cima, desviar e assim prosseguir para aquela luz. Estava cansado mas consciente de que deveria sair daquele lugar, horas desanimava mas parava, respirava e continuava a progredir. Quando cheguei ao fim do túnel, sai e desfrutei da liberdade de estar de volta ao “mundo normal”. Acordei. Era uma manhã com neblina e continuava frio.



Ao me levantar e me preparar para devocional, me veio a mente o livro O Peregrino escrito por John Bunyan na prisão. Pelo menos sua tese central de que somos peregrinos a caminho da patria celestial, forasteiros nesta terra e parte do Reino de Deus, por causa de Cristo, me peguei meditando que o túnel de esgoto, abaixo da superfície, é o deserto que o povo de Deus demorou 40 anos para ser moldado por Ele como está revelado em Números, é a vida que nos traz dificuldades, a caminhada marcada por lutas, desafios e lágrimas. A luz no fim do túnel é o céu e a glorificação, a nova criação aonde habitaremos com Deus por toda a eternidade. Enquanto no túnel, aquela luz me dava esperança de que uma hora toda aquela agonia iria acabar. Os bichos eram os asceclas de Satanás em tentativa de mudar o meu foco na perseguição ao fim daquele túnel.



A vida é como aquele túnel. Tem os seus desafios, o Tentador e seu exército na tentativa de nos desviar, o mau cheio de um mundo que jaz no maligno (1 Jo 5:19), mas vale a pena seguir até o final - Deus tem algo muito maior e melhor preparado para seus filhos e a luz que mostrava o caminho enche nosso coração de esperança para continuar peregrinando dentro do túnel.


Pai eterno e amoroso, eu te louvo pela sua majestade e beleza! Merecíamos perecer num lugar pior do que o esgoto em meu sonho, mas o Senhor ilumina nossos passos enquanto peregrinamos dentro do túnel. Aquece o meu coração e de todos os leitores quanto a esperança da vida eternal, da glorificação e da nova criação. Fortalece-nos enquanto nessa vida diante da sujeira feita pelo inimigo de nossas almas e a imundice que o mundo se encontra fazendo nossos corações transbordarem de esperança e fé até o dia em que estaremos face-a-face diante do Senhor em adoração por toda a eternidade. Em nome de Jesus Cristo, nossa esperança, amém!

Quarta-feira, Julho 16, 2008

121: Resenha - A Guerra pela Verdade: Lutando por Certeza numa Época de Engano



MACARTHUR JR. John. A Guerra pela Verdade: Lutando por Certeza numa Época de Engano. São José dos Campos-SP : Editora Fiel. 262p.


“3 Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos.” Judas vs. 3 - NVI


“[A pós-modernidade é] uma era que já não acredita que a verdade pode ser conhecida. Dr. Albert Moller Jr. Presidente do Southern Baptist Theological Seminary em sua citação de indicação desta obra.


Uma das maiores lutas da Igreja Cristã, tanto na dimensão pastoral quanto no treinamento acadêmico das escolas teológicas, nos tempos atuais gira em dois eixos, a saber, a hermenêutica (ciência de interpretação das Escrituras) e a epistemologia (ciência do conhecimento). Nesta ultima, faz-se a pergunta: O que é a verdade? E ainda outra: Se ela existe como podemos conhece-la? Para um(a) servo(a) do Senhor, sabe-se que a verdade se encontra revelada por Deus nas Sagradas Escrituras, Sua palavra (Jo 17:17) e encarnada na pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo (Jo 14:6) podendo ser conhecida objetivamente com a mente e o coração e empiricamente experimentando-a em poder e graça (2 Pe 3:18). Nessa verdade está edificada a Igreja de Deus há 2000 mil anos de história e mesmo antes dela (independente da interpretação teológica quanto a Israel e a Igreja, é unânime entre os crentes a convicção de que Israel é o povo escolhido na aliança do AT). Porém surgiu um novo movimento denominado “Igreja emergente” que busca ser contextual no período pós-moderno. Este tem como caracteristicas a irracionalidade, subjetividade e incerteza negando a existência de uma verdade universal e absoluta. E este movimento busca ceder a maré articulando uma eclesiologia sem base bíblica e desconfigurando o próprio Evangelho de Cristo. Esse movimento tem angariado jovens e pessoas nos E.U.A e também no Brasil. Mas o Senhor nunca deixa o seu povo sozinho e levanta homens santos como John MacArthur Jr para desmascarar a mentira e pregar a verdade.


MacArhur é Pastor sênior da Grace Community Church em San Valley na California (igreja com mais de 5000 membros), graduado pelo seminário Talbot, presidente do The Master’s College and Seminary e do ministério Grace to you que transmite um programa de rádio com o mesmo nome e divulga material pela internet. Autor de mais de 150 livros, tem-se várias de suas obras traduzidas para o português tais como: Com vergonha do Evangelho, Ouro de tolo, A suficiência de Cristo, O Evangelho Segundo Jesus (Editora Fiel) ; Ministério Pastoral (CPAD) ; Introdução ao Aconselhamento Bíblico , Pense Biblicamente (Hagnos) ; Uma Introdução à Cosmovisão Bíblica (Cultura Cristã) entre outros como o livro apresentado nessa resenha. MacArthur Jr. se identifica com a Teologia Reformada na doutrina da salvação e com o Dispensacionalismo na hermenêutica e escatologia. Além de ser um notável pastor contemporâneo, é um apologista da fé cristã denunciando falsos ensinos que encontram guarida na Igreja de Cristo. Ele se identifica com o grande pregador batista Charles Spurgeon, em quem tem em alta conta (vide Com Vergonha do Evangelho).


Nesta obra, dividida em introdução, oito capítulos e um apêndice, Mac Arthur Jr. procura revelar em sua obra as armadilhas do pensamento pós-moderno ; Porque o movimento da Igreja Emergente é inerentemente defeituoso ; Os conflitos passados na guerra pela verdade e seu efeito sobre a igreja ; A importânciaaa da verdade e da certeza em uma sociedade pós-moderna e como identificar e lidar com os erros e falsos ensinamentos introduzidos sorrateiramente nas igrejas. Sua tese central se baseia na crença em uma verdade absoluta e revelada por Deus na Bíblia podendo ser conhecida. “Uma perspectiva bíblica da verdade também envolve, necessariamente, o reconhecimento de que a verdade absoluta é uma realidade objetiva” (p.21). Os capítulos, exceto o primeiro, são introduzidos com uma excelente exposição à Epístola de Judas, inclusive com uma introdução ao autor e tema (capítulo 3, pgs. 83-109) com excelentes aplicações quanto a apostasia real que está em ocorrencia nos E.U.A inclusive denunciando o conhecido John Armstrong, ex-calvinista que abraçou o pós-modernismo negando a existência da verdade absoluta (p. 49). Armstrong liderou por vários anos o ministério Reforma e Avivamento e foi Pastor batista por mais de vinte anos, sendo autor e organizador de vários livros, inclusive O Ministério Pastoral Segundo a Bíblia, resenhado aqui também. (Comentário pessoal e pitaco sarcastico não recomendado academicamente, mas feito porque o blog é pessoal e reflete o temperamento e personalidade do editor: Alguém me explica como é que pode isso?)


O autor também demostra bom conhecimento da história do pensamento ocidental interagindo com filósofos e autores que formaram a plataforma da pós-modernidade e também conhecedor do movimento da Igreja Emergente e seu mentor Brian MacLaren, além de interagir com a história da igreja e da teologia mostrando que os novos movimentos nada mais são do que velhas heresias com roupagem nova. A leitura é bastante agradável sendo os argumentos claros e lúcidos mostrando a capacidade de raciocínio do autor, além dos capítulos serem recheados de citações das Escrituras, o que fortalece o argumento e a defesa da fé. Embora com todos esses créditos, a leitura também é de facíl assimilação não sendo estritamente academica nem restrita a pessoas que não tem o treinamento teológico fornecido pelo seminário. Também vale mencionar que a línguagem de MacArthur é muito firme em sua denúncia, porém não arrogante como é constantemente acusado (ele mesmo exorta o povo de Deus a uma defesa da fé com amor e moderação embora sendo intolerante com a apostasia pgs 166-168).


O livro foi lançamento nos E.U.A (2007) sendo então bastante atual para os leitores brasileiros, também atual na temática. Isso faz com que a Editora Fiel seja parabenizada por brindar o povo de Deus com tal obra. Alias, é valido comentar a modernização das capas da editora, podendo ser vista nessa obra na bela foto de uma serpente remetendo a nossa mente ao pai da mentira que a usou para levar o primeiro homem a desobediência e assim trazer a queda e o pecado ao cosmo e a humanidade.


É uma obra que deve ser lida por pastores e líderes, seminaristas e professores de Escola Dominical e de pequenos grupos interessados em saber sobre os novos movimentos e alertar as comunidades que servem quanto aos erros e enganos que permeiam as tais. Qualquer cristão interessado também nas falacias da pós-modernidade deve fazer uso de tal obra, ela é indispensável! Uma sugestão: está obra , mesmo não sendo um comentário bíblico, trás excelentes insights e percepções para uma exposição do livro de Judas, seja no púlpito, na Escola Bíblica ou em algum estudo nos lares, tanto no que diz respeito ao texto sagrado quanto as aplicações no que diz respeito a apostasia e falsos mestres e ensinos.


Boa leitura!

Terça-feira, Julho 08, 2008

120 - A PAIXÃO DE CRISTO

4 Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido.

5 Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.

6 Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

7 Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.”


Recentemente re-vi o filme A Paixão de Cristo dirigido pelo conhecido Mel Gibson lançado no Brasil em 2003. Reconheço o atraso de 5 anos para escrever uma postagem pelo lado do lançamento do filme nada atual, mas pela mensagem não só atual mas a verdade que toda humanidade deve atentar. O foco do filme é a morte de Jesus como expiação para os pecados. A expiação parte de um problema, se era necessário que Jesus Cristo morresse por pecadores. O teólogo Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática define expiação como “a obra que Cristo realizou em sua vida e morte para obter nossa (dos crentes) salvação” (GRUDEM, p. 471). O filme nos faz visualizar com impacto chocante, o efeito dessa doutrina e a prática sacrificial de Jesus morrendo como um marginal na cruz (a cruz para os romanos era a maneira de executar os considerados malditos) o que abre espaço para algumas reflexões.


Segundo o texto de Romanos 3:23-26 podemos ver as metáforas do beneficio que a cruz de Cristo trouxe aos pecadores:


1 - Metáfora cerimonial (vs. 25) - propiciação - o sangue derramado na arca para apartar de nós a ira de Deus pelos nossos pecados.


2 - Metáfora Forense (Justificação): Cristo morreu para que sejamos aceitos por Deus, tendo nossos pecados perdoados e declarados inocentes no tribunal de Deus.


3 - Metáfora comercial (Redenção): Cristo morreu como pagamento do nosso resgate. A tríade maligna - o mundo, a carne e o Diabo não tem mais poder e dominio sobre nós.


4 - Metáfora familiar (Reconciliação): Éramos separados de Deus pelo pecado e apenas criaturas. A morte de Cristo faz com que o eleito seja reconciliado fazendo parte da família de Deus, adotado por Ele por meio de Cristo.


Mas por quem Cristo morreu? Por todos?


Segundo o teólogo John Owen (Piper o chama de Calvino da Inglaterra), se Cristo morreu por todos, logo todos serão salvos, pois a morte de Cristo foi substitutiva e penal e como a Bíblia fala que haverão os condenados, é claro que Cristo morreu pelo seu povo (Vide Mateus 1:21 onde diz que Cristo perdoará os pecados do seu povo - também Isaías 53:11-12 onde diz que a morte do servo sofredor justificará os pecados de muitos, perdoará as transgressões de muitos - comparar também com Marcos 10:45). Se Cristo não morreu por todos como pode ser esclarecido nesses versículos, então ele morreu para os eleitos de Deus, os escolhidos para serem o povo Dele e Ele o nosso Deus.


E como interpretar os versículos que dizem que Cristo morreu por todos?


Por hora ficamos com 1 Timóteo 2: 4.


Se olharmos a perícope com calma do verso 1 a 6, veremos quantas vezes a palavra todos aparece e a que essa palavra se refere: a todo tipo de gente, seja rei, seja gorvenador, Cristo morreu por todo tipo de gente sem distinção. Salientando que a epístola ou carta tem um gênero interpretativo peculiar e devemos atentar que foi escrita para uma igreja, para crentes.


Recomendo o livro: A Cruz de Cristo, John Stott, pela Editora Vida (excelente, mas com ressalvas por não abordar o problema por quem Cristo morreu? Quanto a essa questão, Por quem Cristo morreu, John Owen , da editora PES pode ser esclarecedor. Ainda não li, mas estou seco para ler - A paixão de Cristo, John Piper, editado pela Cultura Cristã).


Que possamos louvar a Deus pelo que Ele é e sermos agradecidos pela obra de Cristo na cruz para nossa salvação, pelo evangelho , a boa nova que perdoa nossos pecados.