Quarta-feira, Novembro 12, 2008

129 - Diálogo entre dispensacionalistas e reformados: um apelo a tolerância e cooperação (III)


Na Terceira e última parte desta série será abordado o aspecto prático-pastoral, ou seja, uma filosofia de ministério, da proposta da postagem de diálogo e cooperação entre dispensacionalistas e reformados. Estes aspectos servirão para edificação da igreja de Cristo e para a glória de Deus.

1 - Pregação expositiva-doutrinária da Escritura Sagrada, Palavra de Deus:

Tanto reformados-aliancistas quanto dispensacionalistas entendem que a pregação expositiva tem raízes históricas na tradição cristã e na pratica propõe uma nutrição espiritual melhor a congregação fortalecendo-a na fé em Cristo e ensinando a verdade diante dos ventos de doutrina dando ao povo de Deus substância que deixa a fé mais sólida e madura. O seminário que influência a região onde fui pastor enfatiza esse tipo de pregação e os reformadores entenderam que a pregação é a porta de entrada para o Reino de Deus e esse conceito é uma bandeira levantada pela tradição reformada e puritana.

2 - Aconselhamento Bíblico e a suficiência das Escrituras para lidar com o drama humano e os problemas emocionais:

Tanto dispensacionalistas quanto reformados-aliancistas defendem que a Bíblia é suficiente para o aconselhamento (embora haja integracionistas - os que conciliam teologia cristã com psicologia - nas duas vertentes também). Jay Adams, David Powlison e os docentes do Westminster Theological Seminary, campus da Pensilvânia, Philadelfia, E.U.A, presbiterianos reformados e os conselheiros do CCEF - Christian Couseling and Education Foudation e os docentes do Masters Seminary na Califórnia, L.A , E.U.A liderados pelo conhecido pastor John MacArthur Jr., dispensacionalista e calvinista, entre outras organizações e seminários teológicos que seguem na mesma linha caminham no entendimento do uso exclusivo da Bíblia para lidar com as emoções frente ao aconselhamento e ao discipulado.

3 - Missões:

O dispensacionalismo, na crença pré-milenar, é impulsionado para exercer uma excelente influência em missões sendo uma corrente teológica que incentiva bastante o ministério missionário, principalmente na janela 10/40 e em povos com dificuldade de serem alcançados.

Os reformados-pactuais, em geral amilenista, em alguma medida pré e pós, se preocupa bastante com a conversão do mundo levando o senhorio de Cristo e o Reino de Deus em todas as esferas da existência humana o que trás como consequência um ministério de misericórida e diaconia (social) excelente.



4 - Educação Cristã:

Os dispensacionalistas enfatizam bastante seminários e institutos bíblicos para a formação do obreiro cristão. Há uma excelente ênfase em línguas originais.

Os reformados já buscam uma formação dialogal com as ciências humanas e uma preocupação maior com o conhecimento da história do pensamento cristão, sendo o obreiro pertencente à tradição reformada incentivado a ter uma outra formação acadêmica.

Não é proposta da postagem aprofundar os conceitos presentes por já haver material acadêmico em excelência produzido para defender a pregação expositiva e a suficiência das Escrituras no aconselhamento. A idéia presente é salientar como dispensacionalistas e reformados-pactuais na prática exercem uma filosofia de ministério e articulam uma teologia prática com os mesmos ideais e bastante parecidas, claro, que com algumas diferenças, as vezes gritante.

Não é objetivo também levantar críticas nem a minha posição nem a que não adoto, pois, a proposta sendo incentivar uma aproximação (já existente) entre os expoentes das duas correntes há o entendimento da necessidade de ser positivo, mesmo sabendo que as críticas são cabíveis e até mesmo saudáveis dependendo da maturidade de quem estiver dialogando.

Que Deus seja glorificado e exaltado em cada ministério e magistério dos adeptos de cada vertente.

2 comentários:

Tiago Abdalla disse...

Querido irmão e companheiro de ministério, Juan,

mais uma vez, parabéns pelos textos!

Esse foco me alegra e anima na esperança viva de ver crentes verdadeiros, servindo com uma consciência tranquila perante Deus, mas com braços estendidos àqueles que professam a verdadeira fé evangélica, independentemente da corrente teológica que sigam.

Esses dias, dei uma olhada por cima num artigo do teólogo dispensacionalista Darrel Bock, em que afirmava ser um dispensacionalista com "d" minúsculo, porque para ele o importante não era defender sua corrente teológica, mas sim, afirmar o que está conforme às Escrituras.

Continue firme nesse diálogo e no Senhor!

um abraço!

Tiago Abdalla

Juan de Paula disse...

Tiago,

estava no site "portas abertas" quando fui na seção "declaração de fé" e vi que eles adotavam o credo dos apóstolos como sua confissão.

Me peguei pensando sobre o cristianismo puro e simples de Baxter e Lewis e por mais que a confessionalidade seja importante precisamos definir o que é central e o que é periférico, o que defin alguém como evangélico ou não-evangélico.

Creio que Darrel L. Bock está certo.

Que o Senhor abençoe vc aí.