Quarta-feira, Agosto 13, 2008

123: O filme Tropa de Elite e a Vocação Pastoral


Re-vi o filme Tropa de Elite. Muito bom por sinal, pois explora a realidade criminal na cidade do Rio de Janeiro. Como alguém que nasceu e foi criado ali e ministrou durante alguns anos em um contexto de comunidade carente, posso dizer que é aquilo mesmo que o filme mostra. Não obstante, os crentes sentirão dificuldades com o vocabulário dos atores (muitos palavrões). Mas não é propósito dessa postagem fazer uma resenha do filme e nem comentar o bom desempenho dos atores Wagner Moura, André Ramiro e Caio Junqueira nos personagens Capitão Nascimento, André Matias e Neto. O objetivo da postagem foi o link que surgiu em minha mente ao ver no capitão Nascimento, a paixão de um homem por sua vocação e a intensidade exigida por ela. Óbvio que não aprovamos para os pastores, o estresse familiar e cada vocação tem as suas tensões particulares embora, como diz Eugene Peterson, toda vocação levada a sério biblicamente terá suas lutas. A idéia aqui é conversar sobre insights do personagem Capitão Nascimento a partir de uma perspectiva pastoral:


1 - O Capitão Nascimento era apaixonado e vivia intensamente a sua vocação de tal forma que resultou em estresse. Sua dedicação, sua pegada e sua firmeza é de bom incentivo para os pastores. Oxalá dedicassemos nossas vidas com essa paixão ao rebanho que Deus colocou sob nossa responsabilidade.


2 - Seu caráter e sua incorruptibilidade são traços marcantes em um período de declínio moral tanto socialmente quanto eclesiasticamente. No contexto de uma policia corrupta, nosso personagem demostrou que mesmo que uma pessoa faça parte de uma instituição tomada pela corrupção, ainda sim na pratica deve-se influênciar dentro do meio metro quadrado onde cada qual está militando. As vezes, pastores ficam tristes pela estado de suas denominações, ou tomada pelo secularismo e liberalismo teológico menosprezando as Escrituras ou vivendo um tradicionalismo engessado carecendo de reflexão bíblica. Aquilo que Lloyd-Jones chama de Eclesiola in eclesia parodiando Lutero.


3 - Interessante pensar na formação do substituto do capitão Nascimento. Ele formou o Neto para substituí-lo , coordenando o próprio curso para prepara-lo. Isso nos leva a pensar sobre a nossa formação pastoral: não somos formados no seminário, que muitas vezes (como foi no meu caso, em particular) só atrapalha (claro que não podemos generalizar e nem todos são assim). Por mais que a acadêmica tenha seu valor e sua excelência deve ser almejada ou ao menos respeitada (parodiando um amigo) quem forma um pastor é outro pastor dentro do ambiente da igreja.


Claro que outras percepções surgirão e serão bem vindas pelos comentários ou e-mails e que a postagem poderia abordar o filme numa perspectiva mais analítica em relação ao Estado, corrupção e violência urbana, mas o propósito dela foi apenas “linkar” uma vocação a outra dentro de uma visão pastoral.

3 comentários:

Alberto Costa disse...

Juan, como você disse, outros insights podem ser acrescidos e esses que lhe ocorreram podem ser desenvolvidos com mais vagar. Mas é fato bem substantivo que não existe qualquer substituto à altura para um pastor na formação de outro pastor - e, às vezes, na falta de um homem que desempenhe esse papel, temos visto como o Homem, Supremo Pastor, tem assumido pessoalmente essa responsabilidade, por muitos meios distintos pelos quais lhe apraz dispensar a Sua Palavra, na vida de muitos entre nós, por causa de seu amor para com a Igreja, sua Noiva. É séria, por isso, nossa responsabilidade por investir no meio metro quadrado sob nossa influência, para mudar realidades e desvios culturais históricos e não deixarmos órfãos aqueles para os quais o Senhor nos responsabilizou como pais. Obrigado por compartilhar suas reflexões.

Juan de Paula disse...

Alberto,

pois é - estava conversando com um colega de ministério de minha faixa etária pela manhã e percebemos várias deficiências que impedem o modelo ideal de um pastor formar outro pastor de ser realizado.

1 - Instabilidade econômica no Brasil. Isso impede que muitas igrejas possam possibilitar o pastor de formar outros pastores, jovens, recém-saídos de seminários.

2 - Imaturidade emocional. Pastores se sentem inseguros de terem outros ao se lado e perder sua posição. As vezes por insegurança pessoal sebendo que o jovem tem mais potencial e está mais atualizado ou mesmo o jovem não reconhece seu lugar de formando e começa a competir com seu tutor.

Com isso, mecanismos devem ser desenvolvidos para facilitar isso.

Obrigado pela sua contribuição e pela visita. Disponha no compartilhar as reflexões, faz parte da missão.

Deus o abençoe e espero reve-lo na Fiel se vc for.

ministerio fusão disse...

Concordo plenamente com essa realidade. Eu tenho 29 anos tambem e sou pastor a 5, e vejo que as vezes o "mentoreando" acaba buscando apoio pra sua formação fora da Igreja local. O que as vezes pode ser perigoso, quando não sabe a direção a tomar. Precisamos discutir isso mais a fundo e criar propostas alternativas para que a questão da formação de novos pastores seja tratada com eficacia. Gostaria de manter ctto contigo se tive msn o skyupe, pois seria muito util. Soli Deo Gloria