Terça-feira, Julho 08, 2008

120 - A PAIXÃO DE CRISTO

4 Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido.

5 Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.

6 Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

7 Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.”


Recentemente re-vi o filme A Paixão de Cristo dirigido pelo conhecido Mel Gibson lançado no Brasil em 2003. Reconheço o atraso de 5 anos para escrever uma postagem pelo lado do lançamento do filme nada atual, mas pela mensagem não só atual mas a verdade que toda humanidade deve atentar. O foco do filme é a morte de Jesus como expiação para os pecados. A expiação parte de um problema, se era necessário que Jesus Cristo morresse por pecadores. O teólogo Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática define expiação como “a obra que Cristo realizou em sua vida e morte para obter nossa (dos crentes) salvação” (GRUDEM, p. 471). O filme nos faz visualizar com impacto chocante, o efeito dessa doutrina e a prática sacrificial de Jesus morrendo como um marginal na cruz (a cruz para os romanos era a maneira de executar os considerados malditos) o que abre espaço para algumas reflexões.


Segundo o texto de Romanos 3:23-26 podemos ver as metáforas do beneficio que a cruz de Cristo trouxe aos pecadores:


1 - Metáfora cerimonial (vs. 25) - propiciação - o sangue derramado na arca para apartar de nós a ira de Deus pelos nossos pecados.


2 - Metáfora Forense (Justificação): Cristo morreu para que sejamos aceitos por Deus, tendo nossos pecados perdoados e declarados inocentes no tribunal de Deus.


3 - Metáfora comercial (Redenção): Cristo morreu como pagamento do nosso resgate. A tríade maligna - o mundo, a carne e o Diabo não tem mais poder e dominio sobre nós.


4 - Metáfora familiar (Reconciliação): Éramos separados de Deus pelo pecado e apenas criaturas. A morte de Cristo faz com que o eleito seja reconciliado fazendo parte da família de Deus, adotado por Ele por meio de Cristo.


Mas por quem Cristo morreu? Por todos?


Segundo o teólogo John Owen (Piper o chama de Calvino da Inglaterra), se Cristo morreu por todos, logo todos serão salvos, pois a morte de Cristo foi substitutiva e penal e como a Bíblia fala que haverão os condenados, é claro que Cristo morreu pelo seu povo (Vide Mateus 1:21 onde diz que Cristo perdoará os pecados do seu povo - também Isaías 53:11-12 onde diz que a morte do servo sofredor justificará os pecados de muitos, perdoará as transgressões de muitos - comparar também com Marcos 10:45). Se Cristo não morreu por todos como pode ser esclarecido nesses versículos, então ele morreu para os eleitos de Deus, os escolhidos para serem o povo Dele e Ele o nosso Deus.


E como interpretar os versículos que dizem que Cristo morreu por todos?


Por hora ficamos com 1 Timóteo 2: 4.


Se olharmos a perícope com calma do verso 1 a 6, veremos quantas vezes a palavra todos aparece e a que essa palavra se refere: a todo tipo de gente, seja rei, seja gorvenador, Cristo morreu por todo tipo de gente sem distinção. Salientando que a epístola ou carta tem um gênero interpretativo peculiar e devemos atentar que foi escrita para uma igreja, para crentes.


Recomendo o livro: A Cruz de Cristo, John Stott, pela Editora Vida (excelente, mas com ressalvas por não abordar o problema por quem Cristo morreu? Quanto a essa questão, Por quem Cristo morreu, John Owen , da editora PES pode ser esclarecedor. Ainda não li, mas estou seco para ler - A paixão de Cristo, John Piper, editado pela Cultura Cristã).


Que possamos louvar a Deus pelo que Ele é e sermos agradecidos pela obra de Cristo na cruz para nossa salvação, pelo evangelho , a boa nova que perdoa nossos pecados.

2 comentários:

(-V-) disse...

Prazer Juan,

Muito bom o texto. Tocou num ponto muito crucial: por quem Cristo morreu?

Esse entendimento muda nossa perspectiva a respeito do evangelismo. Deixamos de “amenizar a pregação da cruz” e de pregar um “evangelho água com açúcar” para ludibriar os homens a encherem nossas igrejas e voltamos a pregar a loucura do evangelho da cruz que, para os eleitos, é poder de Deus para a salvação.

No amor e na verdade que nos une,
Vinícius (-V-)

Juan de Paula disse...

Obrigado pela contribuição e encorajamento a pregar fielmente a Palavra da Cruz.

Volte sempre,
Juan