A presente entrevista foi uma tarefa acadêmica de uma aluna do SBPV que está ativa em seu estágio ministerial aqui na congregação onde ministro. Ela teve que entrevistar um pastor sobre o uso da hermenêutica na igreja e me concedeu a honra. Resolvi publicar a entrevista aqui.
1 - Qual a importância da hermenêutica para você?
R: A hermenêutica é de máxima importância. Significa a ciência da interpretação bíblica. O falecido téologo Julio de Andrade Ferreira dizia que "a Bíblia é a mãe de todas as heresias". As escrituras mal interpretadas causam terríveis danos. Originalmente, hermenêutica veio da mitologia grega, em que Hermes escutava as conversas dos deuses e levava aos homens. Quer queiramos, quer não, nós pastores praticamos a hermenêutica ao expor as Escrituras. O ponto é: praticamos uma boa ou uma ruím hermenêutica? Se praticamos uma boa hermenêutica, teremos um púlpito sólido, uma boa Escola Dominical e um excelente discipulado gerando crentes sádios e maduros em nossas comunidades. Mas se praticamos uma má hermenêutica, geramos dúvidas, incertezas, crentes neuróticos, analfabetos biblicamente e imaturos espiritualmente. Isso não quer dizer levar a academia para a igreja composta de gente simples, mas sim expor as Escrituras com fidelidade e reverência ao texto sagrado. Portanto a hermenêutica é de suma importância e vital para a Igreja de Cristo.
2 - Quais princípios da hermenêutica você mais utiliza?
R: Pessoalmente, como cristão evangélico e pastor que sou, utilizo uma hermenêutica de aceitação e afirmação do texto bíblico, ao contrário dos liberais que suspeitam da veracidade e historicidade do evento escriturístico. Aquilo que a Escritura afirma , eu aceito como verdade revelada de Deus e como Agostinho de Hipona, o doutor da graça, e depois Anselmo "credo ut intelligam" - creio para compreender.
Depois, interpreto a Bíblia histórico-gramaticalmente. Aceito o evento como histórico e a inspiração gramatica dos textos na versão original da Escritura. Esse método veio da escola de Antioquia que procurava compreender o que o texto dizia em detrimento da escola de alexandria que alegorizava o texto. Essa foi a luta dos reformadores Lutero e Calvino. Não que eles tenham acertado 100%, nenhum homem o conseguiu, mas lutaram pela autoridade e interpretação correta das Escrituras. Eles inauguraram o método histórico-gramatical em detrimento da alegorização da igreja de Roma. Ou seja, interpreto literalmente.
Infelizmente hoje, muitas comunidades e ensinadores alegorizam o texto bíblico nos púlpitos e na dinâmica da igreja. Usa-se uma intrepretação somente emocional e existêncial fugindo do propósito original do texto. A consequência é uma falta de maturidade e solidez bíblica na igreja de Cristo no Brasil.
E terceiro, utilizo a hermenêutica reformada, seguindo em boa medida Calvino e os puritanos. Leio a Bíblia através dos credos históricos (Apostólico, Nicéia, Calcedônia e também as confissões puritanas, exceto um ponto aqui e acolá que tenho divergência pessoal. Leio também a Bíblia crendo na doutrina do pacto e na teologia da aliança que permeia e é um fio condutor dos dois testamentos. Leio a Bíblia através de minha crença na soberania de Deus em todas as coisas, até na salvação de pecador unicamente pela graça de Deus mediante a fé em Cristo (Ef. 2:8). Dentro do bojo evangélico e de uma teologia conservadora, tenho facilidade em dialogar e conviver com quem pensa diferente nesse terceiro ponto.
Depois, interpreto a Bíblia histórico-gramaticalmente. Aceito o evento como histórico e a inspiração gramatica dos textos na versão original da Escritura. Esse método veio da escola de Antioquia que procurava compreender o que o texto dizia em detrimento da escola de alexandria que alegorizava o texto. Essa foi a luta dos reformadores Lutero e Calvino. Não que eles tenham acertado 100%, nenhum homem o conseguiu, mas lutaram pela autoridade e interpretação correta das Escrituras. Eles inauguraram o método histórico-gramatical em detrimento da alegorização da igreja de Roma. Ou seja, interpreto literalmente.
Infelizmente hoje, muitas comunidades e ensinadores alegorizam o texto bíblico nos púlpitos e na dinâmica da igreja. Usa-se uma intrepretação somente emocional e existêncial fugindo do propósito original do texto. A consequência é uma falta de maturidade e solidez bíblica na igreja de Cristo no Brasil.
E terceiro, utilizo a hermenêutica reformada, seguindo em boa medida Calvino e os puritanos. Leio a Bíblia através dos credos históricos (Apostólico, Nicéia, Calcedônia e também as confissões puritanas, exceto um ponto aqui e acolá que tenho divergência pessoal. Leio também a Bíblia crendo na doutrina do pacto e na teologia da aliança que permeia e é um fio condutor dos dois testamentos. Leio a Bíblia através de minha crença na soberania de Deus em todas as coisas, até na salvação de pecador unicamente pela graça de Deus mediante a fé em Cristo (Ef. 2:8). Dentro do bojo evangélico e de uma teologia conservadora, tenho facilidade em dialogar e conviver com quem pensa diferente nesse terceiro ponto.
3 -Cite alguns erros hermenêuticos que já cometeu. (já ensinou algo errado, falou algo e depois precisou concertar....etc.)
R: Citarei 2 exemplos:
Quando comecei a pregar (5 meses de convertido) , não tinha muito conhecimento bíblico, então alegorizava o texto. Tinha uma idéia e então usava o texto bíblico para confirmar minha idéia e não o contrário: pregar a idéia que o texto bíblico estava passando. Eu dizia o que o texto não estava dizendo. Espero não ter causado muitos estragos!
No meu 1o ano de seminário me encantei com o método histórico-crítico (estudei em uma escola com a maioria dos docentes liberais). É um método liberal que suspeita do texto bíblico e causa danos a igreja de Cristo gerando dúvidas e incertezas. Cheguei a pregar 2 sermões utilizando esse método, mas graças a Deus, no 2o ano, Deus trabalhou meu coração e eu percebi que esse método nada tem a ver com o cristianismo e pude então consertar o erro.

