Sábado, Julho 28, 2007

091: Concílio de exame – Roberto Tomaz do Nascimento

A presente postagem foi um resumo apresentado pelo Pastor Roberto Tomaz do Nascimento, auxiliar na PIB Copacabana quando foi examinado em concílio no dia 07 de Julho de 2007 às 16 horas sendo aprovado e ordenado por imposição de mãos do presbitério presente em culto às 19:30h do mesmo dia. O motivo da postagem é auxiliar seminaristas e candidatos ao ministério pastoral e incentivar pastores a questionarem a ortodoxia do candidato quando participarem de concílios examinatórios.

Passo agora a expressar minhas convicções e percepções teológicas, a fim de ser avaliado e examinado por este concílio.

Revelação de Deus

Deus tem uma maneira graciosa de se revelar ao homem. Ele, que é infinito, se revelou ao homem, pois este por ser finito não tinha condições de conhecer a Deus. Assim, para o homem ter o conhecimento de Deus, é preciso que Deus se revele a ele. Esta revelação acontece de duas maneiras: por meio da revelação geral, ou seja, a proclamação de Deus através da sua criação universal – como afirma o Salmo 19.1: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos”, ou a ainda Romanos 1.20: “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis”. Esses são alguns meios pelos quais se dá a revelação geral.
A segunda revelação é chamada especial. Nela vemos a auto-revelação de Deus para com o homem pecador, que desde a queda perdeu a plena comunhão com seu criador, dirigida a pessoas e épocas particulares. Isso pode acontecer de diferentes formas. Uma delas é exemplificada no momento em que Deus se revela anunciando o seu próprio nome, como está em Êxodo 3.14: "Disse Deus a Moisés: `Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês`”. O Novo Testamento também nos dá uma outra evidência. Gálatas 4.4 mostra que na encarnação de Cristo vemos uma outra maneira de Deus revelar-se: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei”.

Inspiração das Escrituras

Creio na inspiração das Escrituras, a qual se deu de forma especial, direta e sobrenatural por intermédio da santa ação do Espírito Santo na vida de homens. Isso fez com que todo conteúdo da Bíblia seja verdadeiro e da parte de Deus, como o próprio texto sagrado afirma em 2 Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça”. E também em 2 Samuel 23.2: “O Espírito do SENHOR falou por meu intermédio; sua palavra esteve em minha língua”. A Bíblia é plenamente confiável em todos os seus ensinos, sua veracidade é inabalável, pois nela não existe erro, apenas a plena vontade de Deus. É o que diz o Salmo 119, no verso 96: “Tenho constatado que toda perfeição tem limite; mas não há limite para o teu mandamento”.

A trindade

Na trindade encontramos uma das maiores marcas do Cristianismo. Essa doutrina é essencial para o cristão, nela acreditamos piamente que há três pessoas plenamente Deus, um só DEUS – Pai criador, Filho salvador e Espírito Santo consolador e condutor da igreja. Distintas em suas funções, mas plenamente um só Deus. Na Bíblia vemos a ação da trindade em passagens como Gênesis 11.7: “Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”. Lucas 3.21-22: “Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto ele estava orando, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba. Então veio do céu uma voz: “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado”.
A única distinção entre os membros da trindade é a forma como se relacionam entre si, e com a sua criação. Por isso tudo que existe foi criado segundo o decreto de Deus, foi criado para a sua glória, por intermédio da sua Palavra. Zacarias 1.6: “Mas as minhas palavras e os meus decretos, que ordenei aos meus servos, os profetas, alcançaram os seus antepassados e os levaram a converter-se e a dizer: ‘O SENHOR dos Exércitos fez conosco o que’ os nossos caminhos e práticas mereciam, conforme prometeu”.

A pessoa de Deus Pai

E esse Deus perfeito, de quem vem toda a inspiração, é imutável, santo, bondoso, verdadeiro, Espírito eterno, em quem tudo tem sua fonte, apoio e fim. Sua existência é autônoma, Salmo 90.2: “Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus”, infinito e onipresente. Salmo 139.7-10: “Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá.” Apocalipse 22.13: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”. É um Deus bondoso, rico em amo e justo.

A pessoa de Jesus Cristo

Como segunda pessoa da trindade, Jesus Cristo, plenamente Deus e plenamente homem, encarnou para falar e mostrar a mais sublime mensagem da parte de Deus: “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu
herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo” (Hebreus 1.1-2). Era o próprio Deus falando aos homens a sua mensagem de salvação, o verbo encarnado, que estava no princípio e tudo fez, como está escrito em João 1.1-3. Em Cristo estava toda plenitude de Deus: “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2.9).
Além disso, Jesus também tinha uma natureza cem por cento humana, sujeita às mesmas paixões, emoções, raciocínio e sentimentos humanos. Ele chorou (João 11.35), experimentou o sofrimento, conforme Isaías 53.3: “Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima”. Foi tentado em tudo, mas não pecou: “Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca” (I Pedro 2.22). Isso era necessário, pois desde a queda do homem era necessária essa obra, feita apenas por um homem. E esse homem tinha que ser o próprio Deus. Por isso só através Jesus Cristo encontramos salvação: “Este Jesus é a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.11-12).
Em tudo, Cristo se humilhou e foi humilhado. Não fez isso para ser um mártir ou ter uma influência moral ou governamental. Sua morte foi vicária (I Coríntios 15.3), voluntária (Gálatas 2.20), pré-determinada (Atos 2.23), expiatória (Gálatas 3.13), propiciatória (I João 4.10), redentora (Gálatas 4.4-5) e substitutiva (I Pedro 2.24). Por esta razão, Cristo recebeu da parte de Deus o nome que é sobre todo nome. E toda língua há de confessar que Jesus Cristo é o Senhor.
Cristo manifestou-se na condição de profeta, sacerdote, e rei. Foi profeta porque anunciou a mensagem do Pai (João 8.26-28), falou de coisas futuras (Lucas 19.41-42). Sacerdote, quando possibilitou a salvação do homem, não por meio do sangue de animais, mas pelo derramar do seu próprio sangue: “Dia após dia, todo sacerdote apresenta-se e exerce os seus deveres religiosos; repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés; porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hebreus 10.11-14). Como rei, ele governa, está sentado à destra de Deus e virá julgar vivos e mortos.

A pessoa do Espírito Santo

Creio que o Espírito Santo é o condutor da igreja hoje, o ministério é dele. É ele quem tem direcionado, guiado, a igreja no decorrer de todos esses séculos, desde a ascensão de Jesus. O Espírito Santo é Deus. É ele que intercede pelos santos: “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Sua obra consiste em convencer o homem do pecado, do juízo e da justiça de Deus (João 16.1-11). Na vida do crente, é Ele quem regenera, produz o fruto espiritual, possibilita comunhão com Deus, derrama dons na igreja de acordo com a necessidade e, principalmente, faz morada (I Corintios 6.15-19).

O homem

Creio na criação do homem como imagem e semelhança de Deus, no sexto dia. A criação do homem é diferenciada do restante da criação de Deus. O homem é constituído de corpo e alma: “Então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente” (Gênesis 2.7). O homem foi criado com o único propósito: glorificar a Deus: “todo o que é chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz” (Isaías 43.7). Puro e num relacionamento direto com Deus, o homem, num ato de livre escolha, pecou contra Deus, depois de ser tentado e ceder ao diabo. Esse pecado trouxe conseqüências gravíssimas. A primeira delas é a morte, como diz Romanos 6.23. O pecado é um mal moral que entrou no mundo através de Adão. Por isso, hoje, diferente de Adão, todos nós somos gerados no pecado (Romanos 3.23). Essa condição é chamada de pecado original, pecado que acarreta a culpa original e nos separa da plena comunhão com Deus. Por isso, só através do sangue de Cristo recuperamos o estado de comunhão com Deus. Isso se chama salvação.

A Salvação

A salvação só pode se dar através da graça de Deus, por meio da conversão, o ato de se arrepender-se dos pecados e ter fé na pessoa bendita de Jesus. Sem esse arrependimento e essa fé em Jesus não existe salvação. A graça comum não é capaz de salvar o homem, ela é a manifestação de Deus sobre salvos e não salvos. Diferente da graça da especial, voltada para aqueles que são salvos: “Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5.45b). No ato da salvação somos regenerados, somos transformados: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (II Corintios 5.17). Mas essa salvação tem um caráter jurídico, porque o pecado nos condenou à morte, mas Cristo pagou esse preço em nosso lugar e nos absolveu, tornando-nos justificados: “e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz” (Colossenses 2.14-15). Após o passo da conversão, onde houve a regeneração e a justificação, o crente passa ao momento da santificação. Esta acontece em um ato inicial na vida do crente, mas vai se desenvolver por toda sua vida: “Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna” (Romanos 6.22). Por fim, a salvação se completa na glorificação. Esta consiste na nossa transformação total, quando chegaremos à plenitude, à perfeição com Cristo. Isso se dará na volta do Senhor: “A vereda do justo é como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia” (Provérbios 4.18).

O Diabo

Tenho certeza e acredito que todo cristão tem um grande inimigo. Como diz o apóstolo Pedro, em sua primeira epístola, no capítulo 5 e verso 18, ele é como um leão cruel e devorador, rugindo a procura de uma vítima que possa devorar. A Bíblia traz claras evidências sobre a sua manifestação, no mundo físico: “Então Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, um dos Doze”, (Lucas 22.3). Mas também no mundo espiritual: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência” (Efésios 2.1-2). O maligno é o pai da mentira, sua missão é matar, roubar e destruir. Por isso, não podemos dizer que somos tentados por Deus, porque Deus não pode ser tentado e a ninguém tenta. Mas somos tentados por nossas paixões. Satanás, que é chefe de demônios, por um ato de rebelião, foi expulso do céu: “O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terra” (Apocalipse 12.9). Mas ele é um inimigo derrotado. E, já condenado, vai para o inferno, pois o inferno foi criado para ele e para seus anjos: “Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno preparado para o Diabo e os seus anjos” (Mateus 25.41).

A Igreja de Cristo

Entendo que a Igreja de Cristo é composta por todos aqueles que são lavados e remidos pelo sangue de Cristo. Sejam pobres e ricos, negros, brancos, orientais ou ocidentais, de denominação A ou B. Igreja de Cristo são todos aqueles que fazem parte do seu corpo. Efésios 1.22 diz: “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja”. Ela é uma comunidade dos que foram lavados de todo o pecado pelo sangue de Jesus e o confessam como único salvador. 1 João 1.7: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” Este é o sentido universal da Igreja de Jesus Cristo. Como nos fala Atos 9. 31: “A igreja passava por um período de paz em toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Ela se edificava e, encorajada pelo Espírito Santo, crescia em número, vivendo no temor do Senhor.” Ela e um organismo vivo e dinâmico, mas também tem o seu sentido local.
A Igreja anda unida com a finalidade principal de adorar e cultuar a Deus, obesrvando e praticando as ordenanças de Jesus: o Batismo e a Ceia. Este primeiro é realizado por imersão depois da pública profissão de fé. O batismo é um simbolismo, mostra a morte e o sepultamento do velho homem e a ressurreição para uma nova vida em Cristo: “Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6.3-5). A ceia do Senhor é um cerimonial comemorativo praticado por toda igreja reunida, que proclama a morte de Jesus, simbolizada pelos elementos do pão e do vinho (Mateus 26.26.29).
A principal missão da Igreja no mundo é a proclamação do Evangelho de Cristo e a formação de discípulos do Senhor Jesus. Junto a esse chamado está o compromisso de ensinar a Palavra de Deus, doutrinando aqueles que se juntam ao rebanho. Neste processo, destacam-se ações como a disciplina. A disciplina na igreja tem um caráter preventivo (Mateus 18.15), corretivo (Gálata 6.1) e cirúrgico (Mateus 18.17). Entre os os papéis da Igreja, estão ainda o de comunhão e responsabilidade social. Nós somos sal e luz do mundo, temos que temperar e mostrar o caminho iluminado a esse mundo, temos que lembrar que fomos separados para a boa obra de Cristo, por isso somos santos. Mas não somos retirados desse mundo, como afirma o mestre em João 17. A Igreja marcha contra as portas do inferno (Mateus 16), ela está na posição de ataque e não de defesa. Nós temos que entender que somos embaixadores de Cristo (II Corintios 5.20), a representação do reino de Deus nessa terra. Por isso, a igreja é profética, ela consola os oprimidos e denuncia os opressores.
Partindo desses conceitos, a Igreja Batista recebe em seu rol de membros aqueles são biblicamente batizados. O batismo é uma das condições para ser membro de uma igreja batista. Segundo sua declaração doutrinária, os Batistas acreditam que a Igreja é constituída por pessoas de livre vontade. É uma comunidade que crê que a liberdade religiosa não pode sofrer qualquer ingerência de autoridade humana. Sendo assim, igreja e estado devem estar completamente separados, o Estado é laico e a igreja é livre. A Igreja Batista entende a Bíblia como única regra de fé e prática. Ela é uma comunidade local, democrática, autônoma, com uma conduta de cooperação entre as igrejas batistas. Sua relação com outras denominações e instituições acontece desde que isso não afete os princípios bíblicos e doutrinários. Também acredita na responsabilidade individual diante de Deus. Nas igrejas batistas existem dois ministérios oficiais: o pastorado e o diaconato.

O Ministério pastoral

Creio no sacerdócio universal de todo crente. Entretanto, creio que Deus escolhe, chama e separa certos homens para o serviço distinto e singular do Santo Ministério da Palavra. O pastor de ovelhas é responsável pelo rebanho de Cristo e um dia prestará contas a Ele. De acordo com a Palavra de Deus ele deve ter um caráter irrepreensível, moderado e sensato. Tem de ser respeitável, hospitaleiro, pacífico, apto para ensinar e não apegado a este mundo. Além disto, é necessário que goze de boa reputação entre os de fora, seja marido de uma só mulher e governe bem a sua casa (I Timóteo 3.1-17). A respeito disso, o apóstolo Pedro falou: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho” (I Pedro 5.2-3).

Escatologia – a doutrina das últimas coisas

Na história cristã, existem três pensamentos sobre o milênio.
1) Pré-milenismo: segundo este conceito, a segunda vinda de Jesus inicia os mil anos, período em que Cristo reinará sobre a terra, com uma presença que será física e material. Os seguidores desse pensamento fazem uma tradução literal de Apocalipse 20.4-6. Este texto afirma que Cristo governará durante mil anos ao lado daqueles que lhe foram fiéis até a morte. Os pré-milenistas acreditam que neste período haverá grande paz e ruptura com os momentos caóticos que lhe precederem.
2) Pós-milenista: de acordo com essa corrente, os mil anos não são literais, mas ocorrem no coração do homem. A eficácia do evangelho, seguida pela mudança do caráter do homem, caracterizaria o reinado de Cristo, um reinado sobre a vida de cada indivíduo regenerado que impactaria a terra, trazendo justiça e paz. Para os pós-milenistas, a segunda vinda de Jesus é posterior a estes fatos.
3) Amilenismo: os defensores desta idéia acreditam que não haverá um reinado terreno de Cristo na Terra. Este período seria, na verdade, a era da igreja e, portanto, já estaria sendo vivido. Para os amilenistas, a segunda vinda de Jesus será seguida do julgamento das nações.

Eu acredito na parusia. Acredito que a segunda vinda de Cristo será:
A) Pessoal:
“E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia. De repente surgiram diante deles dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: `Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado aos céus, voltará da mesma forma como o viram subir`” (Atos 1.10-11).
B) Física:
“Assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam” (Hebreus 9.28).
C) Repentina:
“Pois vocês mesmos sabem perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão à noite” (1 Tessalonicenses 5.2).
D) Visível, gloriosa e triunfante:
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória” (Mateus 24.30).

Quinta-feira, Julho 12, 2007

090: Combatendo Seitas e Heresias (1): Igreja Adventista do Sétimo Dia

Combatendo Seitas e Heresias: Igreja Adventista do Sétimo Dia e Congregação Cristã do Brasil[1]

Por Juan de Paula Santos Siqueira[2]

Introdução:

Vivemos em um momento da história ocidental chamado pelos historiadores, filósofos e estudiosos de pós-modernidade. Este termo, sendo ainda objeto de debate[3], foi cunhado oficialmente na Europa para conceituar o momento em que vivemos, caracterizado por irracionalismo, relativismo, subjetivismo e misticismo ao contrário do movimento iluminista de 300 anos atrás que celebrava a autonomia da razão e o progresso da humanidade.
Dentro desse contexto de pluralidade de idéias e crenças nasceram as seitas. Não é algo exclusivo de nosso tempo, nos tempos de Jesus no Novo Testamento também existiam grupos sectários como os essênios por ex. e depois os gnósticos.
As palavras seita e heresia derivam da palavra grega háiresis que significa escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola, etc. Háiresis virou em latim secta e assim veio à palavra seita. O cristianismo foi chamado de seita do nazareno (At 24.5) no sentido técnico da palavra, ou seja, ser um grupo que vai de contra a religião dominante com suas idéias e crenças[4]. O protestantismo também foi chamado de seita no século XVI por romper com a hegemonia da religião católico-romana no ocidente.
Sob o ponto de vista bíblico-doutrinário, sendo Jesus Cristo, Deus-filho como revelação a própria verdade (Jo 14:6), as seitas interpretam erroneamente as Escrituras ou fogem totalmente dela partindo de outra revelação. Assim é toda religião, o homem tentando alcançar Deus com as próprias pernas e mãos (At 17:27). O cristianismo é Deus alcançando o indivíduo através da graça mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Salvador (Ef 2:8).
As seitas tem algumas características peculiares tais como: 1 - Adicionar algo a Bíblia com o mesmo status de revelação ou ter sua própria revelação geralmente receptada por “iluminação” do líder-fundador da seita ; 2 – Boas obras como meio para salvação ; 3 – Visão míope da pessoa de Cristo e sua obra redentora na cruz como revelada nas Escrituras ; 4 – Exclusividade em seu grupo como o único detentor da verdade e da salvação.
Essas seitas podem ser categorizadas na seguinte tipologia: 1 – Secretas, como por ex. Cientologia, Rosa Cruz e Maçonaria ; 2 – Espíritas, como por ex. Kardecismo, LBV (Legião da Boa Vontade) ; 3 – Orientais, como por ex. Hare Krishna e 4 – Pseudo-cristãs como por ex. Mormonismo, Testemunhas de Jeová e Adventista do Sétimo Dia, sendo esta última classificação objeto de estudo nesta palestra onde será analisada duas seitas pseudo-cristãs: A Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Congregação Cristã do Brasil. Pode-se chama-las de pseudo-cristãs porque saíram de dentro de igrejas cristã-evangélicas distorcendo a Escritura sem uma regra clara de interpretação (o que na teologia chama-se hermenêutica)[5]. Essas seitas pseudo-cristãs na presente palestra serão analisadas, primeiramente em seu histórico (surgimento), depois em sua doutrina, especificamente naquilo que a caracteriza como seita e em terceiro lugar a refutação dessas doutrinas (ensinamento) a partir do cristianismo bíblico, usando as Escrituras devidamente interpretadas.

1 – Igreja Adventista do Sétimo Dia
1.1 – Histórico e surgimento:
A Igreja Adventista do Sétimo Dia[6] foi fundada por William Miller (1782-1849), um fazendeiro zeloso e estudioso da Bíblia, residente em Pittsfield, Massachusetts, EUA. Gostava muito de estudar os livros de Daniel e Apocalipse e achou que havia descoberto a volta de Cristo segundo uma interpretação “dia-ano” de Daniel 8:14. Sua primeira tentativa foi para 22 de Março de 1843, anunciando desde 1831. Tentou novamente em 22 de Outubro de 1844 “levando-o a desistir dos seus cálculos e voltando a sua origem religiosa”[7] como bem citado pelo prof. Roque Lopes. Como Cristo não voltou em 1843/44, os seguidores de Muller enfrentaram perseguição e como conseqüência organizaram a Igreja Adventista[8] (que significa advento, uma referência a segunda vinda de Cristo). No entanto, suas crenças foram desenvolvidas posteriormente por Hiram Edson e Ellen G. White. Os Adventistas iniciaram suas atividades como grupo entre 1850 a 1860, sendo oficializado como instituição em 1863 nos EUA[9]. Hiram Edson, discípulo de Miller, teria recebido uma revelação quando andava em um milharal, que Miller estava errado em sua profecia. Segundo Edson, ao estudar Daniel 8:14, em 1844 Cristo passará para um santuário celestial (antes estava em um santuário entre o céu e a terra fazendo a distinção entre santuário santo e santo dos santos), antes ministrando a pecadores e agora fazendo o juízo investigativo[10]. Ellen G. White nasceu em 26 de Novembro de 1827 em Gorhan, Portland, EUA. É considerada pela IASD como profetiza inspirada tendo os seus escritos no mesmo patamar que a Bíblia Sagrada.[11]
Segue a história da IASD no Brasil em desenvolvimento cronológico:
“1884 - O pacote contendo dez revistas Arauto da Verdade, em alemão, chega a Brusque, SC.
1890 - Surgem os primeiros seguidores da fé Adventista no Brasil.
1893 - Albert B. Stauffer, primeiro missionário enviado ao Brasil pela liderança mundial da Igreja Adventista, chega em São Paulo.
1894 - Albert Bachmeier encontra Adventistas em Brusque e em Gaspar Alto;
W. H. Thurston chega ao Rio de Janeiro com dois caixotes de livros, estabelecendo naquela cidade um depósito de livros.
1895 - Pastor Frank H. Westphal chega ao Rio de Janeiro em fevereiro. Acompanhado por Albert Stauffer, inicia uma viagem realizando batismos em São Paulo e terminando com a cerimônia batismal de Gaspar Alto, em junho.
Em oito de junho de 1895, a primeira igreja adventista do Brasil é estabelecida com a inauguração de seu templo na cidade de Gaspar Alto, Santa Catarina.
No mês de julho, os irmãos Berger chegam ao Brasil para colportar.
Pastor H. F. Graf chega ao Brasil em agosto e, em dezembro, realiza o batismo em Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo.
É criada a Missão Brasileira da Igreja Adventista.
1896 - Pastor Spies chega ao Brasil e batiza 19 pessoas em Teófilo Otoni, Minas Gerais; Em julho começa a funcionar o Colégio Internacional de Curitiba, PR, a primeira escola particular adventista.”[12]
Seu veiculo de comunicação chama-se Casa Publicadora, tem uma marca própria de conservantes e alimentos e mantém escolas e hospitais por todo Brasil. Hoje há diversas denominações adventistas. Existe a tradicional, que é a principal e uma vertente que abriu mão dos costumes judaizantes (guarda do sábado, etc.) para se aproximarem dos evangélicos.

1.2: Doutrinas peculiares da IASD
A IASD em vários aspectos se assemelha com uma igreja evangélica ou com a Igreja de Cristo[13]. A IASD crê na trindade, na pecaminosidade da raça humana, na ressurreição e na volta de Cristo e em outros ensinamentos que os evangélicos também professam[14]. No entanto, segundo o Prof. Luiz Sayão da FTBSB e da STSC, “apesar de ser um grupo significativo, é (...) separado dos evangélicos por seu exclusivismo e ensinamentos peculiares na área de escatologia, necessidade da guarda do sábado e de obediência a regras alimentares mosaicas”[15], ou seja , se separa dos evangélicos por causa dos seguintes ensinamentos: Profecia sobre a data da volta de Cristo, Satanás como co-redentor dos pecados, exclusivismo, inspiração profética nos escritos de Ellen G. White como fonte de verdade, guarda do sábado, crença no ministério de Cristo no santuário celestial, juízo investigativo e o sono da alma. Essas doutrinas serão expostas aqui uma a uma e depois refutadas biblicamente.

1.2.1: A profecia da data da volta de Cristo
William Miller analisou o texto de Daniel 8:14 ,

“Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado.”[16]

imaginando que 2.300 tardes e manhãs seriam anos proféticos (baseados em Nm 14:34 e Ez 4:6) relacionados a data da volta de Cristo e o fim do mundo. Para Miller, o santuário é a terra e a purificação será a segunda vinda de Cristo com fogo (2 Pe 3: 9-10). Então, ele precisava saber a data de partida para essa contagem. Examinando Daniel 9:25, ele entendeu que a contagem regressiva dos 2.300 anos seria a partir da ordem dada para a reconstrução de Jerusalém. Então ele foi para Esdras 7: 11-26 onde leu que o Rei Artaxerxes permitiu que os utensílios retirados do templo fossem liberados para a reconstrução. Isso se deu na data de 457 a. C., daí 2300 – 457 = 1843, ano marcado por Miller para a volta de Cristo.

1.2.2: Satanás como co-redentor dos pecados
A doutrina de Satanás como co-redentor dos pecados tem como pano de fundo a compreensão adventista do que eles chamam de grande conflito:
“8. O Grande Conflito
Toda a humanidade está agora envolvida num grande conflito entre Cristo e Satanás, quanto ao caráter de Deus, Sua Lei e Sua soberania sobre o Universo. Esse conflito originou-se no Céu, quando um ser criado, dotado de liberdade de escolha, por exaltação própria, tornou-se Satanás, o adversário de Deus, e conduziu à rebelião uma parte dos anjos. Ele introduziu o espírito de rebelião neste mundo. Observado por toda a Criação, este mundo tornou-se o palco do conflito universal, dentro do qual será finalmente vindicado o Deus de amor. (Apoc. 12:4-9; Isa. 14:12-14; Ezeq. 28:12-18; Gên. 3; Gên. 6-8; II Pedro 3:6; Rom. 1:19-32; 5:19-21; 8:19-22; Heb. 1:4-14; I Cor. 4:9”[17]

Após o Juízo investigativo e a obra completa de Cristo no santuário celestial, “parte dos pecados dos remidos deverão ser colocados sobre Satanás. Somente quando isto for feito é que toda obra da salvação será completa”[18], como está escrito na obra de Ellen G. White O Conflito dos séculos “Ele os colocará (pecados dos remidos) sobre Satanás”[19]. Essa doutrina é baseada na interpretação de Levíticos 16:1-28. O bode da expiação tipifica Cristo e o bode emissário que foi enviado ao deserto tipifica Satanás.

1.2.3 Exclusivismo
O exclusivismo é a marca de toda seita. A IASD também manifesta seu exclusivismo de uma forma diferente:
“13. O Remanescente e sua Missão
A Igreja universal compõe-se de todos os que verdadeiramente crêem em Cristo; mas, nos últimos dias, um remanescente tem sido chamado para fora, a fim de guardar os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Este remanescente anuncia a chegada da hora do Juízo, proclama a salvação por meio de Cristo e prediz a aproximação de Seu segundo advento. (Mar. 16:15; Mat. 28:18-20; 24:14; II Cor. 5:10; Apoc. 12:17; 14:6-12; 18:1-4; Efés. 5:22-27; Apoc. 21:1-14).”[20]

Aqui parece que eles crêem em salvação fora da IASD e que esta (remanescente) é mais especial para Deus (pela guarda do sábado e ênfase na segunda vinda). Pode ser também a crença de que a Igreja universal é composta por todos aqueles que creram em Cristo antes do surgimento da IASD como denominação. Mas a primeira opção parece ser a mais plausível porque a IASD é membro de organizações ecumênicas[21].

1.2.4 Inspiração profética nos escritos de Ellen G. White como fonte de verdade
Os livros escritos por Ellen G. White são inspirados no mesmo patamar das Escrituras Sagradas.

“18. O Dom de Profecia
Um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Este dom é uma característica da Igreja remanescente e foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autorizada fonte de verdade e proporcionam conforto, orientação, instrução e correção à Igreja. (Joel 2:28 e 29; Atos 2:14-21; Heb. 1:1-3; Apoc. 12-17; 19:10).”[22]

1.2.5 A Guarda do Sábado
O sábado é para a IASD uma questão central em sua doutrina, é um distintivo desse grupo. Por isso o nome IA do Sétimo Dia. “Deixar de guardar o sábado é renunciar a fé. (...) é a marca, o selo do povo de Deus; é a linha divisória entre aqueles que servem e não servem a Deus. É pela guarda do sábado que se consideram o único povo santo, salvo e que faz a vontade de Deus”[23] como citou o prof. Roque Lopes.
“20. O Sábado
O bondoso Criador, após os seis dias da Criação, descansou no sétimo dia e instituiu o Sábado para todas as pessoas, como memorial da Criação. O quarto mandamento da imutável Lei de Deus requer a observância deste Sábado do sétimo dia como dia de descanso, adoração e ministério, em harmonia com o ensino e prática de Jesus, o Senhor do Sábado. (Gên. 2:1-3; Êxo. 20:8-11; 31:12-17; Lucas 4:16; Heb. 4:1-11; Deut. 5:12-15; Isa. 56:5 e 6; 58:13 e 14; Lev. 23:32; Mar. 2:27 e 28).”[24]

1.2.6 Crença no ministério de Cristo no santuário celestial

Como Cristo não voltou em 1843, Hiram Edson explicou a conta de Miller da seguinte maneira: Nesta data, Cristo saiu do compartimento santo ministrando a pecadores e passou para o santo dos santos (conforme o santuário descrito no AT) para concluir sua obra de salvação.

“24. O Ministério de Cristo no Santuário Celestial
Há um santuário no Céu. Nele Cristo ministra em nosso favor, tornando acessíveis aos crentes os benefícios de Seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas, na cruz. Ele foi empossado como nosso grande Sumo Sacerdote e começou Seu ministério intercessório por ocasião de Sua ascensão. Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório.”[25]

1.2.7 Juízo Investigativo
Cristo, após ficar 18 séculos ministrando a pecadores no primeiro compartimento do santuário celestial, começa uma nova etapa de sua obra expiatória, o juízo investigativo de cada pecado no santuário para a obra da redenção final.

“O juízo investigativo revela aos seres celestiais quem dentre os mortos será digno de ter parte na primeira ressurreição. Também torna manifesto quem, dentre os vivos, está preparado para a trasladação ao Seu reino eterno. A terminação do ministério de Cristo assinalará o fim do tempo da graça para os seres humanos, antes do Segundo advento. (Heb. 1:3; 8:1-5; 9:11-28; Dan. 7:9-27; 8:13 e 14; 9:24-27; Núm. 14:34; Ezeq. 4:6; Mal. 3:1; Lev. 16; Apoc. 14:12; 20:12; 22:12).”[26]

1.2.8 O sono da alma
Também chamada imortalidade condicionada, essa doutrina ensina que as pessoas que morreram se encontram em um estado de inconsciência enquanto Cristo termina o juízo investigativo, ou seja, a pessoa fica inconsciente entre a sua morte e a ressurreição. Essa interpretação é baseada em versículos que usam a palavra dormir.
“Até aquele dia, a morte é um estado inconsciente para todas as pessoas. (I Tim. 6:15 e 16; Rom. 6:23; I Cor. 15:51-54; Ecles. 9:5 e 6; Sal. 146:4; I Tess. 4:13-17; Rom. 8:35-39; João 5:28 e 29; Apoc. 20:1-10; João 5:24 )”[27]

1.3 Refutação
1.3.1 Profecia da data da volta de Cristo
“Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.” Mateus 24:36

“Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade.” Atos 1:7

A regra de interpretação de William Miller “dia-ano” não tem apoio das Escrituras. O texto de Daniel 8:14,

“Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado.”

Tem como significado uma possível referência a sacrifícios realizados as tardes e as manhãs para a purificação do templo. A profecia teve seu cumprimento em alguma perseguição promovida por Antíoco IV[28] entre 171 a. C e 164 a.C.[29]
1.3.2 Satanás como co-redentor dos pecados

O texto de Levíticos 16:5,10 não tipifica que o bode emissário representa Satanás.
“5 E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para oferta pelo pecado e um carneiro para holocausto. 10 mas o bode sobre que cair a sorte para Azazel será posto vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele a fim de enviá-lo ao deserto para Azazel.”

Ambos os bodes representam Cristo. O primeiro indicava expiação plena do pecado e o segundo a completa remoção da maldição.[30]
Jesus Cristo é a propiciação dos nossos pecados (Rm 3:25, Hb 2:17, 1 Jo 2.2) e é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:29). Somente a pessoa de Jesus Cristo salva o pecador (At 4:12, 1 Tm 2:5). Satanás será lançado no lago de fogo (Ap 20:10) e não tem nenhuma participação na economia da salvação.

1.3.3 Exclusivismo
Ninguém é salvo por uma instituição e/ou por fazer parte de um grupo. A salvação está na pessoa de Jesus Cristo (Jo 3:16, At 4:12, Rm 10:9-10, 1 Tm 2:5) sendo exclusividade dele.

1.3.4 Inspiração profética nos escritos de Ellen G. White como fonte de verdade
Somente os escritos da Bíblia são inspirados por Deus.
“Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça;” 2 Tm 3:16

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.” 2 Pe 1:21

Nenhuma profecia pode ser acrescentada a Escritura.

1.3.5 A Guarda do Sábado
Realmente Deus instituiu o sábado como memorial da criação. Segundo o reformador João Calvino, quando Deus instituiu o sábado, Ele queria dar um descanso espiritual a Israel, o seu povo escolhido, queria um dia para que Ele fosse adorado no ouvir da sua lei e o cumprimento das cerimônias e dar um dia de descanso aos seus servos[31]. A questão é a obrigação da obediência ao sábado no período da nova aliança. Os dez mandamentos devem ser obedecidos e cumpridos (vide o Senhor Jesus no sermão da montanha Mt 5-7), mas a IASD faz uma mistura entre a lei moral (dez mandamentos) e a lei cerimonial. Segundo o prof. Dr. Mauro Meister “a lei cerimonial (...) é uma aplicação simbólica (da lei moral)”[32], a lei cerimonial está mais concentrada no livro de Levítico como por ex. leis proibindo comer carne de animais, pois estes representavam imundice. A IASD prega a obediência a estas leis cerimoniais que se cumpriram em Cristo. O apóstolo Paulo escreveu que o sábado foi uma sombra do que havia de vir, Cristo.
“16 Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, 17 que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.” Colossenses 2: 16-17.

O nosso Senhor Jesus Cristo se colocou como senhor do sábado, defendendo a criação do sábado para servir o homem e não o contrário.
“23 E sucedeu passar ele num dia de sábado pelas searas; e os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. 24 E os fariseus lhe perguntaram: Olha, por que estão fazendo no sábado o que não é lícito? 25 Respondeu-lhes ele: Acaso nunca lestes o que fez Davi quando se viu em necessidade e teve fome, ele e seus companheiros? 26 Como entrou na casa de seus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, e deu também aos companheiros? 27 E prosseguiu: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. 28 Pelo que o Filho do homem até do sábado é Senhor.” Marcos 2: 23-28

No entanto a Bíblia coloca um dia para adoração e devemos ter um dia para nosso descanso. Esse dia foi mudado para o domingo na dispensação da nova aliança porque foi o dia que nosso Senhor ressucitou.

“No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite.” Atos 20:7

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,” Apocalipse 1:10

Neste dia os cristãos se juntam e se unem para adorar o Senhor em comunidade prestando culto a Ele no dia em que o Senhor Jesus ressucitou dentre os mortos.
O uso do sábado e a proibição de alimentos são ensinamentos judaizantes não sendo obrigatório para os gentios na dispensação da nova aliança. Quando estes se tornam obrigatórios, podemos aplicar o texto em que o Apóstolo Paulo se refere aos judaizantes que importunavam os crentes gálatas.
“8 Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.” Gálatas 1:8 (ou seja, maldito)

Aliás, por falar em Gálatas, a IASD conserva a guarda do sábado e a proibição de alimentos, mas não conservou a expiação de animais, a circuncisão e outros aspectos da lei cerimonial. Não está também em sua confissão de fé se a guarda do sábado é no fuso horário do período bíblico (a partir do por do sol) ou deve ser guardada em nosso fuso horário (a partir da meia noite). Certamente a IASD prega outro evangelho.

1.3.6 Crença no ministério de Cristo no santuário celestial
Os textos de hebreus 8: 2 e 9:24 não apóiam a existência do santuário celestial.
“ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor fundou, e não o homem.” Hebreus 8.2

“Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;” Hebreus 9:24

O livro de Hebreus tem como objetivo mostrar a superioridade de Cristo entre o celestial e o terreno, Jesus é superior a tudo o que foi revelado anteriormente. Então, seguindo o ponto do livro de Hebreus, os textos não apóiam essa divisão entre santuários celestiais feito pela IASD.
O próprio livro de Hebreus diz que a oferta da expiação em Cristo foi feita uma vez por todas, portanto Cristo não está fazendo nenhuma expiação em santuário nenhum.
“Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados.” Hebreus 10:14

1.3.7 Juízo investigativo

A obra da salvação foi consumada na cruz (Jo 19:30, Cl 2:13-17, Rm 5:10). Aqueles que confiam em Cristo para o perdão dos seus pecados não passará por nenhum juízo investigativo, pois os pecados passados, presentes e futuros já foram perdoados, apagados e esquecidos por Deus (Is 43:25 e At 3:19).
“10 É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre.11 Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados;12 mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus,”.

1.3.8 O Sono da alma

Os seguintes textos afirmam que a alma dos cristãos vai imediatamente para a presença de Deus após a morte.

“Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23:43

“Preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor” 2 Coríntios 5:8b

“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor;” Filipenses 1:23

Ainda há outras doutrinas da IASD que podem ser consideradas heresias a partir do cristianismo bíblico que não serão abordadas neste estudo, sendo elas: Jesus e o arcanjo Miguel serem a mesma pessoa e a natureza pecaminosa de Jesus.
[1] Palestra proferida em 04/07/07 na conferência de Julho da Primeira Igreja Batista em Extrema - MG denominada: Combatendo Seitas e Heresias.
[2] Pastor batista (CBB), bacharel em teologia no STBSB-RJ, membro da equipe pastoral da Igreja Batista em Monte Verde, servindo na congregação em Itapeva de Minas - MG.
[3] Alguns preferem ultra-modernidade, neo-modernidade ou ainda, modernidade tardia.
[4] BÍBLIA APOLOGÉTICA. São Paulo: ICP (Instituto Cristão de Pesquisa), 2000. P. 1443.
[5] Hermenêutica é o termo teológico cunhado para designar a metodologia de interpretação da Bíblia. Depois o termo passou a designar todo esforço cientifico para a interpretação de um texto. Seu nome é derivado de Hermes , deus grego que buscava ouvir o que os deuses conversavam para depois, contar aos seres mortais. Cf. JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996.
[6] Daqui em diante IASD.
[7] CARVALHO FILHO, Roque Lopes. Seitas I: Compreendendo nosso tempo. Rio de Janeiro: Vida Plena, 1999. P. 26.
[8] CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: Uma história da Igreja cristã. Tradução: Israel Belo de Azevedo. São Paulo: Vida Nova, 1995. P. 402.
[9] http://www.ucb.org.br/txtlstvw.aspx? – Acesso em 20/06/2007.
[10] CARVALHO FILHO, Op Cit. P. 27-28.
[11] Ibid. P. 31.
[12] http://www.ucb.org.br/txtlstvw.aspx? – Acesso em 20/06/2007.
[13] Termo usado para denominar toda a Igreja de Cristo espalhada na face da terra em todos os tempos que tem Jesus Cristo, Deus-filho como seu salvador e a Bíblia como regra de fé e prática.
[14] Vide apêndice 1, as Crenças Fundamentais da IASD.
[15] SAYÃO, Luiz. Uma avaliação sociológica do pentecostalismo e do neopentecostalismo contemporâneo. Vox Scripturae, Volume IX,Número 1, 1999. P. 83.
[16] Versão Almeida Revista e Atualizada. Toda citação bíblica da palestra será usada nesta versão.
[17] http://www.portaladventista.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=10&Itemid=4 - Acesso em 20/06/2007. Artigo 8 das Crenças Fundamentais da IASD.
[18] CARVALHO FILHO, Op. Cit. P. 29.
[19] Citado em Ibid.
[20] http://www.portaladventista.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=10&Itemid=4 - Acesso em 20/06/2007. Artigo 13 das Crenças Fundamentais da IASD. Grifo meu.
[21] Como por exemplo a CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e a CMI – Conselho Mundial de Igrejas. Essas organizações ecumênicas são adeptas de uma orientação liberal em sua doutrina.
[22] Ibid.
[23] CARVALHO FILHO, Op Cit. P. 31.
[24] Op Cit. Artigo 20 das Crenças Fundamentais da IASD.
[25] Op Cit. Artigo 24 das Crenças Fundamentais da IASD.
[26] Ibid.
[27] Ibid. Artigo 26 das Crenças Fundamentais da IASD.
[28] Um líder local no período inter-testamentário (entre o AT e o NT). Mais informações sobre ele pode ser encontrada no livro apócrifo de 1 Macabeus na Bíblia romana.
[29] BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. São Paulo e Barueri : Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. P. 997. (Comentário de Daniel 8:14).
[30] BÍBLIA APOLOGÉTICA, Op. Cit. P. 154-155. (Comentário de Levíticos 16:1-22).
[31] CALVINO, Juan. Institución de la Religion Cristiana. Tomo I. Barcelona, Espana : FELIre, 1999. P. 287.
[32] MEISTER, Mauro Fernando. Lei e Graça. São Paulo : Cultura Cristã, 2003. P. 46.