Sexta-feira, Junho 30, 2006

Confraria Calvinista

Por excelente iniciativa do irmão Charles Grimm, de Brasília, está no ar o blog Confraria Calvinista, articulado por irmãos reformados de todo Brasil, qual também estou fazendo parte.
Que Deus abençoe sua leitura e o edifique com teologia bíblica e saudável.
A Ele toda glória!

Quinta-feira, Junho 22, 2006

III Congresso da CRBB (Comunhão Reformada Batista do Brasil) em Volta Redonda


CRBB

Quarta-feira (14/06) – 2h30min da manhã já estava de pé! Fomos para Recife (Eu, painho, Laylton e Ezequias) e pegamos o vôo para o Rio de Janeiro às 6 da manhã. Do Rio, seguimos para Volta Redonda e... com alguns contratempos conseguimos nos alojar direitinho. Os homens foram para uma casa e as mulheres ficaram nas dependências da Igreja Presbiteriana da cidade (depois essa regra foi modificada). Bem, o preletor da conferência, Pr. Robert Selph (estarei me referindo como Bob), iniciou sua série de pregações falando sobre a Aliança de Deus com seu povo, que foi estabelecida 6 vezes nas Escrituras: 1 – Com Adão, 2 – Com Noé, 3 – Com Abraão, 4 – Com Moisés, 5 – Com Davi e 6 – Com Cristo. Aprendemos dentre muitas lições que Cristo é a resposta de todas as alianças. “Porque Jeová bondoso é, pra sempre a graça durará, e mui fiel sempre será, de geração em geração”. (Salmo 100.5)

Quinta-feira (15/06) – No clima frio de VR, o Senhor nos aqueceu com a Sua Palavra e com a oportunidade a nós concedida de estarmos em comunhão com irmãos de diversas partes do mundo. Pela manhã, Bob aborda o capítulo 26 da Confissão de Fé Batista de 1689 e nos mostra três importantes aspectos do Reino de Cristo aqui na terra: 1 – Ser membro, 2 – O ofício da Igreja, 3 – O trabalho da Igreja com outras igrejas locais. À noite, seu sermão discorreu no texto de Romanos
Feliz aquele que o Senhor não tem por transgressor, não atribui pecado algum, nem dolo se achará”. (Salmo 32.2)
Sexta-feira (16/06) – O desejo de aproveitar bem a comunhão estava no ar, as conversas eram sobremaneira edificantes e as lições que ganhamos ficaram para nossa vida prática até a vinda do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. No culto da manhã, Bob nos lembrou (a Igreja) de que Deus revestiu os presbíteros de autoridade para com a igreja local e por isso, devemos honrá-los e\n respeitá-los. Eles são o ‘ungido do Senhor’. O modelo cristão para a escolha de um pastor se encontra claramente descrito em Atos 6, isso deve servir para a nossa reflexão e para orientar-nos nessa árdua tarefa. À noite, vimos a importância do princípio regulador do culto e entendemos claramente que o nosso Deus diz como quer ser adorado e a nossa obrigação é seguir a essa vontade do Pai em harmonia e comunhão com os outros que, como nós, andam em retidão. “Procuram os meus olhos da terra, os fiéis; para que sempre estejam na minha habitação; pois andam em caminhos cheios de retidão; e, assim na minha casa, hão de servir-me então”. (Salmos 101.6)
Sábado (17/06) – O sentimento de saudade era notável nos semblantes de cada congressista. O Espírito Santo abençoou o Bob de maneira que ele fechou a conferência com chaves de ouro. No início, houve um pequeno relato dele sobre a importância do cumprimento da Lei com relação a guarda do Dia do Senhor, esse ponto foi de grande edificação. Em seguida, seu sermão mostrou o tão grande amor que devemos ter para com aqueles que ainda não foram chamados eficazmente. Devemos ter o coração de Jesus, isso implica orarmos sempre por tais almas e buscarmos ganhar para o Senhor Jesus quantas almas pudermos. Que Deus nos dê forças e sabedoria para buscarmos cada vez mais a prática da Sua Lei. Que esta seja a nossa oração continuamente:
Organização da Igreja Batista de Fé
Reformada em Volta Redonda

Sábado (17/06) – À noite, deu-se a organização da Igreja Batista de Fé Reformada em Volta Redonda. Um momento ímpar na história da História das Igrejas Reformadas no Brasil. Robert Selph fez a leitura do Salmo 84 e abordou especialmente o versículo 10. As lições deixadas para a novel igreja foram riquíssimas, com certeza servirá para o crescimento do Reino de Deus aqui na terra. Que todos nós almejemos sempre o estar na casa do Senhor e desfrutarmos das bênçãos celestes. “Um dia, pois, na tua casa é muito mais que mil. Prefiro estar à porta que na prática do mal. Um sol é o Senhor, é escudo para mim. Dá graça e glória, e bem nenhum sonega aos que são seus”. (Salmos 84.10 e 11)
Agradecimentos a Anna Barros, irmã da 1a igreja Batista Reformada de Caruaru, autora do relato.

Sexta-feira, Junho 02, 2006

A demissão de Jonathan Edwards: Uma esperança para os obreiros.

Embora o pastorado seja uma benção de Deus para o Seu povo, também é um caminho espinhoso e árduo para aqueles que são chamados e vocacionados a anunciar todos os desígnios de Deus. Nem sempre as igrejas são compostas de membros regenerados, genuinamente convertidos e que visam glorificar a Deus em culto e em todas as esferas da existência humana. Alguns membros são guiado pelos seus próprios corações enganosos, ambiciosos, egoístas, visando a satisfação de seus próprios interesses. A sociologia da religião[1] explica isso muito bem, colocando que pessoas são desrespeitadas em seus trabalhos e serviços por patrões porém ocupam cargos na igreja e descontam todas as suas frustrações na mesma com o obreiro e a membresia local, ou então, por serem os mais ricos e “bem-de-vida” na comunidade local, se acham no direito de politizarem todas as decisões em prol de seus interesses pessoais.
Como o obreiro deve agir nesse caso? Deve continuar pregando a Palavra, doa a quem doer? Deve ficar em cima do muro? Ou trabalhar com a sabedoria do alto para resolver as questões? Deve o obreiro então se politizar também, afinal tem seu salário, sustento, família e outros?
Peçamos ajuda a Jonathan Edwards (1703-1758) pastor congregacional, teólogo puritano e filósofo, famoso por sua pregação “Pecadores nas mãos de um Deus irado
[2]” que foi o centro do 1º grande avivamento na América, descrito nos livros de história da igreja entre 1735 e 37 e entre 1739 e 41 após uma série de pregações sobre a justificação pela fé chegando a converter entre 25 a 50 mil pessoas[3].
No final de sua vida, Edwards restringiu a ceia do Senhor somente aos membros da igreja, qual tinha o costume de sempre servir de maneira ultra-liberal
[4]. Essa postura custou a ele sua demissão da igreja em 1750.

Lloyd-Jones diz o seguinte:

Essa foi uma das coisas mais espantosas que já aconteceram, e deve servir como uma palavra de encorajamento para os ministros e pregadores. Lá estava Edwards – o altaneiro gênio, o poderoso pregador, o homem que estava no centro do grande avivamento – e, todavia, foi derrotado na votação de sua igreja, por duzentos e trinta votos, contra apenas vinte e três ao seu favor. (...) Não se surpreendam, portanto, irmãos, quanto ao que possa acontecer com vocês em suas igrejas
[5].

Após, Edwards foi servir como missionário em StockBridge, frente aos índios mohawk e housatonic. Em 1757 aceitou a presidência do College of New Jersey (atual Princeton), porém morreu em 1758 após testar uma vacina contra varíola
[6].
Cabe portanto, agir como Edwards mantendo a firmeza nas Escritura, ainda que custe a demissão do obreiro e esse depositando sua confiança na providência de Deus e em seu cuidado, sabendo que a coroa da vida lhe espera na eternidade. Nisso, vale a pena participar do sofrimento de Cristo e ser firme na Palavra.

Que Deus abençoe a todos os obreiros , pregadores e missonários que passam ou passaram por essa dificuldade.
[1] Atribuem essa reflexão a Peter Berger, porém não tenho a fonte.
[2] Publicado pela editora PES.
[3] FERREIRA, Franklin. Gigantes da fé: história e teologia na igreja cristã. São Paulo, Ed. Vida: 2006. P. 221.
[4] Tipologia usada pelos batistas para restringir o uso da ceia. Ultra-liberal: todos tomam a ceia, liberal: todos os cristãos batizados e membros comungantes de alguma igreja evangélica, restrita: somente os cristãos da denominação, ultra-restrita: somente os da comunidade local. Cf. SOBRNHO, João Falcão. Túnica Inconsútil. Rio de Janeiro, Juerp.
[5] JONES, D. M. Lloyd. Os Puritanos: suas origens e seus sucessores. São Paulo, SP: PES. 1993. P.357.
[6] FERREIRa, Op. Cit. P.222.