Terça-feira, Maio 23, 2006

"Só Calvinista que entra e sai do jeito que pensa, não muda" : A falacia hermenêutica do neo-liberalismo e pizza com guarana Kuat ao lado de Nagel


O título se refere a uma frase dita por um aluno em sala de aula ontem em classe na disciplina de aconselhamento, quando era citada como exemplo do texto pré-requisitado, a crise do seminarista quando vem da igreja com a fé "protegida" e rompe com o seminário. O aluno se referia aos 3 reformados da classe (tinha 4 mas ele não sabia, rsrsrs) do qual faço parte. Mal sabia ele que eu me tornei Calvinista depois de uma crise espiritual e intelectual no meu 1o ano de seminário. Tudo bem, admito que já era um calvinista em potencial, mas precisei passar pela crise para Deus confirmar minha eleição e conversão, Ele o quis assim, rsrs!

Depois da aula, fui a parme comer pizza de calabresa com guarana Kuat em companhia de meu colega de turma Nagel, do blog "Lado B da minha mente", um dos calvinistas também (estava uma delícia, oregano, azeite, catchup, hum.....) e ele refletia sobre a incoerência dos neo-liberais em sua hermenêutica. Eles fazem uma leitura bíblica reader response cujo sentido do texto sagrado está no leitor (com todos os seus paradgimas) e não no autor como defende o método gramático-histórico. Os neo-liberais também re-interpretam as doutrinas centrais da fé cristã, dando a elas um significado outro, que não seu original, por exemplo, dizer que a ressurreição de Cristo foi apenas na tradição dos discípulos e da igreja primitiva e não aconteceu no tempo e no espaço e é indiferente para fé. Fé em que afinal? No vazio? Fé na fé? Perceberam a falacia e a incoerência hermenêutica? Se Cristo não ressucitou não é vã a nossa fé?

Então! Os liberais clássicos expõe suas convicções com clareza (pois rompem com tudo) e sofrem consequências com isso, mas os neo-liberais são diferentes, querem re-interpretar e dar um novo significado a partir de paradigmas da pós-modernidade com todo relativismo e subjetivismo a fim de anular qualquer conceito absoluto de verdade. Para eles teologia é escrita a lápis (frase que escuto toda hora no seminário). Mas são incoerentes na sua teologia e práxis. Explico: Acho o naturalismo e o ateísmo existêncialista sartreano ou pessimista nitzcheniano coerente. Fecham a porta ao mistério, ao transcedente e a revelação (Bíblia) e imperam nas universidades (que Deus levante Kuyper's em nosso país, aliás já tem levantado numa universidade conhecida em SP). Mas os neo-liberais trazem esses conceitos e cosmovisões para dentro da Igreja e das catedras teológicas em detrimento da cosmovisão cristã na sua vertente clássica e histórica cuja hermenêutica afirma e aceita as Sagradas Escríturas. Por que não saem da igreja? Por que não se assumem como agnósticos, ateus, ou não formam um grupo a parte? Ai vem a incoerência da práxis e da ética. Querem ficar na Igreja porque são como parasitas que não crêem na fé da igreja mas querem o sustento e o prestígio perto dela.

Então nós (os 4 reformados) que mantemos uma fé confessional, estudamos no seminário principal de nossa denominação visando o pastorado e a edificação da Igreja do Senhor Jesus, que temos uma hermenêutica coerente com 2000 anos de história (ainda que nos acusem de ser atrasados por pensar como pensaram a 500 anos com Calvino, e sinceramente, ainda que tenhamos que fazer adaptações para o tempo e o espaço de hoje, quem dera que eu pensasse não só como Calvino, mas sim como Paulo a 2000 anos atrás e ter a minha mente cada vez mais cativa ao próprio Cristo, rsrsrsrs!) e confessamos uma fé coerente (ainda que pelo estado pecaminoso nem sempre, pelo menos eu, me porto como tal) sistematizada, fundamentada (opa, olha o fundamentalista ai gente!) temos de aturar peixes fora d'agua com esses tipos de comentários e hipocrisia, que gera desvio de conduta e revela o carater desonesto de tal aluno (ou de alunos)!!!!!!!! A crítica deve ser acadêmica, mas a falacia dos neo-liberais , pelo menos aonde estudo é a crítica impregnada de ideologia sem o caráter dialogal e reflexivo como eles mesmo advogam. Contradição! Triste realidade.

Pelo incrível que pareça , nesse mesmo dia ainda fui chacotado por um prof., e não reagi nem um momento (amados leitores que me conhecem pessoalmente, é verdade, não reagi, rs). Prefiri dobrar o joelho e pedir misericória deles e que Deus me sustente ao último ano numa escola teológica com prof.s liberais nas catedras.
"Que Deus me ajude, amém!" (Palavras finais de Lutero na dieta de Worm)

Sábado, Maio 20, 2006

Lançamento de livros: Franklin Ferreira - Indicação bibliográfica

2 livros foram lançados pelo Pastor Franklin Ferreira, Agostinho de A a Z: Coleção pensadores cristãos que contém 40 páginas sobre uma introdução a biografia e citações de a a z sobre vários temas relacionados ao evangelho, e Gigantes da fé: teologia e espiritualidade na igreja cristã, ambas pela editora Vida Acadêmica (www.editoravida.com.br) que tem como objetivo co-relacionar espiritualidade cristã, tema que está em evidência no mundo evangélico e uma sólida teologia bíblica e evangélica não havendo como separar as duas com uma biografia de 30 heróis da fé cristã, com uma excelente biografia, resumo do pensamento e aplicação prática a devoção cristã, contendo teólogos, pastores, filósofos e até um músico, dentre eles Irineu, Agostinho, Lutero, Calvino, Jonathan Edwards, C.S Lewis e o brasileiro José Manoel da Conceição além do músico Johann Sebastian Bach. Até o Filósofo e matemático francês Blaise Pascal entra na parada. O texto contém um prefácio excelente de Luiz Sayão, diagnosticando a crise atual da teologia e do evangelicalismo e a tendência a secularização e Ferreira coloca bem seus objetivos na introdução e conclui chamando a igreja a perceber as supertições que dominam o movimento evangélico e a entrada do liberalismo teológico na acadêmia teológica que mina a fé dos futuros obreiros e pensadores cristãos e chama a igreja a confessar a fé, estudando as principais doutrinas cristãs e os pastores e mestres pregarem a palavra expositivamente.


No meio de tantas vozes na babel teológica e doutrinaria que nós vivemos no Brasil, essas duas obras de Franklin vem como um suporte teológico para uma reflexão e prática firme nas Escríturas Sagradas visando a glória do nosso Deus Triúno. A Primeira Igreja Batista em Cosme Velho fica muito feliz com essa empreitada e rogamos ao Senhor que esses textos abençoem o povo evangélico em todo Brasil. Franklin, estamos muito feliz por vc que Deus continue te usando, a Ele toda honra e toda glória.


Franklin Ferreira é membro das equipes pastorais da Primeira Igreja Batista do Cosme Velho e da Igreja Presbiteriana na Barra da Tijuca, ambas no Rio de Janeiro. Também leciona no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, na área de história do Cristianismo e da Teologia e também teologia sistemática, no Seminário Teológico Servo de Cristo em SP na área de Teologia Sistemática e Introdução ao NT. Franklin é graduado em teologia pela EST - Escola Superior de Teologia pela Universidade Mackenzie e mestre em Teologia. Casado com Marilene e pai de Beatriz.

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Por uma espiritualidade vocacional: uma definição teológica da vocação pastoral

Mini artigo apresentado 15/05 para a disciplina teologia e ética.
Introdução

Na pós-modernidade, período caracterizado pela irracionalidade, relativismo, individualismo e consumismo[1] , a igreja evangélica vem sofrendo abusos, principalmente no que tange a liderança, cujo paradigma pertence a toda sorte de categorias oriundas do tempo presente, não pertencendo aos propósitos divinos revelados nas Sagradas Escrituras. Não vemos na Bíblia o termo liderança[2] mas sim sacerdote, pastor e profeta, ainda que tenham sido tomados dos povos pagãos, Deus em sua revelação quis usar essas categorias para definir quem guiaria o seu povo. O presente artigo visa uma definição de vocação pastoral no prisma de uma teologia da espiritualidade cristã, que a uma década substituiu o termo discipulado[3] em detrimento de uma psicologização mística e gnóstica ou uma definição de pastorado por um viés pragmático aonde o resultado e o efeito de crescimento numérico está acima da visão de ver vidas transformadas pela Palavra de Deus. Em tempos de graça barata[4] precisa-se resgatar pastores que Deus use.

Espiritualidade e Teologia

Ferreira escreve que a espiritualidade não pode ser desassociada da teologia e deve ser moldada pelas Escrituras[5] suficientes porém não exaustiva gerando uma teologia bíblica apoiada nos atos redentores de Deus na história tendo em Cristo no evento central um modelo de imitação cristocêntrico a partir do paradigma da cruz[6].

Vocação pastoral a partir de uma teologia da espiritualidade cristã

Peterson trabalha uma espiritualidade da vocação a partir do livro de Jonas na crise entre Társis e Nínive , no que tange a ouvir a voz de Deus e seu chamado e o ápice da crise quando vai para o ventre do peixe e as saída redescobre uma ascese e ali o autor faz uma analogia entre o livro de Jonas e as suas crises vocacionais tendo essas como temática central do livro[7]. A reposta para essa crise vocacional, Bonhoeffer chamaria de discipulado radical como paradigma para a espiritualidade vocacional e pastoral:

“O chamado ao discipulado é, portanto, comprometimento exclusivo com a pessoa de Jesus Cristo, (...) Cristo chama , o discípulo segue”

Sendo então uma vocação relevante na realidade inserida, uma vocação no discipulado cristão. Spurgeon diz que a certeza da vocação pastoral vem “de uma divina orientação para faze-lo” e não simplesmente de uma escolha humana[8].

O trabalho espiritual do vocacionado

Podemos definir como a pregação expositiva, qual Russell Shedd diz que é transformadora na comunidade cristã[9], além de oferecer a glória de Deus a seu povo. E o cuidado mútuo de si mesmo antes de cuidar do povo[10].

Conclusão

Sem pretensão de ser dono de alguma verdade, mas servi-la (Jo , 8:32, 14:6) foi lançada algumas pistas para uma tentativa de servir ao Senhor em um relacionamento de intimidade e submissão para um amadurecimento a partir da espiritualidade vocacional a partir de uma teologia da espiritualidade cristã.

Bibliografia

BAXTER, Richard. Pastor Aprovado. – São Paulo, PES. 1996.
FERREIRA, Franklin. Gigantes da fé: espiritualidade e teologia na igreja cristã. - São Paulo: Editora Vida, 2006.
PETERSON, Eugene. A sombra da planta imprevisível: uma investigação da santidade vocacional. Tradução de Carlos Osvaldo Cardoso Pinto. – Campinas, SP : Editora United Press, 2001.
SHEDD. Russell. Prega a Palavra. – São Paulo, Edições Vida Nova, 2004.
SPURGEON, Charles. O chamado para o ministério. – São Paulo: PES. ??.
[1] FERREIRA, Franklin. Gigantes da fé: espiritualidade e teologia na igreja cristã. - São Paulo: Editora Vida, 2006. p. 336.
[2] SOUSA, Ricardo Barbosa de. Prefácio In: PETERSON, Eugene. A sombra da planta imprevisível: uma investigação da santidade vocacional. Tradução de Carlos Osvaldo Cardoso Pinto. – Campinas, SP : Editora United Press, 2001. p.5.
[3] FERREIRA, Op cit, p.13.
[4] Ibid p.16.
[5] Termo usado pelo teólogo e pastor alemão Dietrich Bonhoeffer em sua obra discipulado, “A graça barata é inimiga mortal de nossa Igreja (...) Graça Barata é graça como refugo, perdão malbaratado, consolo malbaratado, sacramento malbaratado; é graça como inesgotável tesouro de igreja, distribuído diariamente com mãos prontas, sem pensar e sem limites; a graça sem preço, sem custo. p.9.
[6] FERREIRA, op. cit. P. 130.
[7] PETERSON, Eugene. A sombra da planta imprevisível: uma investigação da santidade vocacional. Tradução de Carlos Osvaldo Cardoso Pinto. – Campinas, SP : Editora United Press, 2001.
[8] SPURGEON, Charles. O chamado para o ministério. – São Paulo: PES. ??. p. 6.
[9] SHEDD. Russell. Prega a Palavra. – São Paulo, Edições Vida Nova, 2004. p. 11.
[10] BAXTER, Richard. Pastor Aprovado. – São Paulo, PES. 1996.