Faltando apenas 3 dias para o início da 4a conferência nacional da Atos 29 Brasil, filiada a Acts 29 Network, uma rede de plantação e revitalização de igrejas de matriz reformada e missional, gostaria de apresentar a comunidade reformada, missional e evangélica, o palestrante Steve Timmis


Steve Timmis é um dos pastores da The Crowded House Church na Inglaterra, que funciona de forma multi-local em várias cidades. Ele também é o diretor da Acts 29 Western Europe. Ele é co-autor (junto com Tim Chester) do livro Igreja Total, pela Editora Tempo de Colheita e na conferência haverá o lançamento de seu novo livro, Igreja Diária, também em co-autoria com Tim Chester.

Steve faz um relevante trabalho de evangelização em seu país onde o cristianismo, outrora revigorante, hoje em declínio, muitas vezes é vivido de forma nominal, e até muito ignorado. Sua igreja é de linha reformada na pregação e ensino e com forte ênfase em discipulado e vida em comunidade. Ele tem se tornado um modelo de ministério centrado no evangelho em um país secularizado.

Além disso, aliado a sua vasta experiência ministerial (uns 30 anos) como pastor local e plantador de igrejas, Steve também treina, equipa e envia plantadores por toda a Europa Ocidental através da Atos 29 Europa. 

Ele tem seu treinamento teológico na Universidade de Sheffield com um diploma de teologia e estudos bíblicos (Bimingham Bible Institute) e um mestrado em artes com ênfase em estudos bíblicos.


E qual a relevância de Steve Timmis para o evangelicalismo brasileiro?

É comum ouvirmos perguntas em conferências (ou sobre elas) sobre o que podemos aprender de um preletor estrangeiro sendo que ele milita em outro contexto. No caso da 4a conferência nacional da Atos 29 Brasil teremos três palestrantes brasileiros e o único americano é missionário no Brasil mas entendemos a legitimidade e a honestidade da pergunta que merece resposta:

1 - O evangelho em sua mensagem e a comunidade de fé dos discípulos de Cristo são de caráter supra-cultural e temporal. Steve tem experiência com ambos. Evangeliza trabalhadores em um país que mantém uma cultura elitista por causa da monarquia e da nobreza. Conhece com profundidade o evangelho (o que é razão suficiente para nos abençoar) e também tem larga experiência no discipulado na comunidade. Temos a humildade de aprender com mestres de outro país.

2 - A sabedoria e a experiência adquirida com o tempo é um fator coeso com o título e temática da conferência (Perseverança e ministério a longo prazo).

3 - O equilíbrio entre uma teologia fortemente bíblica e reformada, fundamentada nas Escrituras Sagradas e humilde no aprendizado com a tradição cristã, paralelamente compreendendo que na pós-modernidade, há a oportunidade de resgatar a natureza missionária e missional da igreja em ser uma missionária de Jesus em seu contexto local e resgatar práticas do discipulado como relacionamentos, comer juntos, pequenos grupos sem o ativismo frenético centrados em eventos tão comum no evangelicalismo brasileiro e talvez norte-americano. Ou seja, o ministério de Steve é paradoxalmente teológico e comunitário em um contexto secularizado.

4 - Mesmo o Brasil não sendo popularmente secularizado por causa do sincretismo religioso, com o advento da nova classe média na economia, muitos brasileiros tem mais acesso a informação e a academia no Brasil é fundamentada no pensamento francês (embora o país tenha sido colonizado por portugueses) com forte influência do movimento do iluminismo (e do positivismo, vide o lema da bandeira do país, Ordem e Progresso citada aqui em caráter descritivo) o que torna muitos universitários e estudantes céticos, além da pós-modernidade e a pluralidade das religiões em vigor no Brasil, Steve pode contribuir com sua vasta experiência na Europa Ocidental, outrora berço da Reforma, hoje em declínio em relação as comunidades cristãs, bem secularizada. 

5 - Teologia prática e Teologia na prática. Steve é um conhecedor de teologia e sabe coloca-la em prática. Não desmerecemos o ministério acadêmico, pelo contrário, teremos dois professores de alto gabarito na conferência. Por outro lado, Steve é muito sábio em aplicar os princípios bíblicos e os fundamentos teológicos a serviço da comunidade. 

Para conhece-lo melhor, segue abaixo um vídeo com a apresentação da Atos 29 Europa (em inglês, claro e sem legendas). 

Espero ter te encorajado a fazer sua inscrição no site da Atos 29 Brasil e te encontrar, reencontrar ou até mesmo conhece-lo pessoalmente na conferência. Venha estar conosco!




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Este ano tem sido daqueles em que Deus me agraciou, em sua bondade, com alguns presentes. Um deles foi o início de uma segunda graduação, no curso de História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Por mais difícil que seja encarar uma segunda graduação com família constituída, mais de 30 anos e já exercendo algumas atividades vocacionais (além de conciliar com uma pós-graduação na área ministerial) e a possibilidade de não concluir o curso (tomara que isso não aconteça) como também a dificuldade estrutural de uma Universidade pública no Estado do Rio de Janeiro, sempre tive o sonho de estudar ciências humanas (por compreensão vocacional da atividade) em faculdade pública. Eis aqui Deus tornando realidade em Seu tempo.

Mas, a exemplo de Dietrich Bonhoeffer, na excelente biografia de Eric Metaxas publicada em português: Bonhoeffer: pastor, mártir, profeta, espião, em que toda ação e decisão que ele tinha que tomar era calçada em alguma base teórica e fundamental, não uma decisão no vazio ou escrava das paixões e emoções, me fiz algumas perguntas girando em torno de duas: uma delas se refere a questão bi-vocacional já refletida aqui, aqui, aqui e aqui (escrevi estas postagens quando decidi que ia cursar história). A outra se refere ao título: se estudar ciências humanas iam me trazer algum benefício ministerial ou profissional já que sou um pastor? Será que não corro o risco de me secularizar e ser mais humanista em mina atividade pastoral do que centrado em Deus, no evangelho e na Bíblia? Após compreender mais uma vocação em minhas atividades e iniciar uma nova etapa, após conversar com alguns homens de Deus, segue as bases refletidas em tal decisão que afirmam o benefício de se estudar ciências humanas para o pastor:

Compreensão maior da Revelação geral de Deus através da graça comum

Por revelação geral de Deus, sendo um termo teológico, a grosso modo, se entende que Deus se revelou na criação (Salmo 19:1-6). Como toda revelação é graciosa e manifestação da bondade de Deus, a área do conhecimento geral também é fruto de estudo de cristãos. A graça comum é um termo teológico que afirma que verdades de Deus podem ser encontradas no conhecimento geral (claro que submetemos esse conhecimento a revelação especial, a saber, As Escrituras Sagradas). Óbvio que o discípulo de Cristo deve atentar para o efeito da queda na mente e a produção do conhecimento que contraria Deus. Mas ao estudar e trabalhar, o cristão cumpre o mandato cultural de Deus de engajamento na criação sem ofender a Deus.

Em termos funcionais, o Rev. Fernando de Almeida, capelão da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em seu artigo O ensino da graça comum (no livro, A glória da Graça de Deus, Editora Fiel) salienta que

"Entender a doutrina da graça comum pode ser a chave hermenêutica ideal para acomodar, na mente do cristão, tanto seu compromisso com a santidade quanto a responsabilidade dada por Deus de interagir com eles mundo como um exercício de glorificação ao Criador" (p. 620)

Exegese cultural

Exegese, grosseiramente falando, é uma ferramenta da teologia de se buscar o significado original do texto bíblico. Todo pastor, ao pregar, ensinar e aconselhar, em público ou em ministração individual deve usar o texto bíblico dentro de seu contexto ao expor o evangelho. A ausência de ferramenta exegética no trabalho de um pastor se equipara a um mecânico que não entende de carro ou um médico ignorante em anatomia. 

Portanto, o pastor aprende no curso de teologia a fazer uma exegese do texto bíblico.

Mas, também, o pastor ministra em uma determinada cultura. E precisa conhecer essa cultura para servir o evangelho em seu contexto local. Ed Stetzer , proeminente missiólogo norte-americano , em sua vinda ao  Rio de Janeiro em 2011, palestrando para pastores e líderes, salientou que alguns criticam o conhecimento da cultura local, como polarização daqueles que submetem o evangelho a cultural local para ter mais adeptos ou preguiça de compreender o contexto, afirmam que basta apenas pregar e discipular que basta. E Stetzer afirmou que esta postura é errada com base em 1 Coríntios 9:16-23. O evangelho é imutável e apresentado em contextos diferentes. A cultura local tem perguntas apropriadas e sabemos que o evangelho responde todas elas mas culturas diferentes fazem perguntas diferentes.

As ciências humanas ajudam o pastor a fazer uma exegese cultural de seu contexto. Saber o processo de formação do pensamento local, valores, histórico e tradições. E identificar os ídolos presentes naquela cultura e ministrar o evangelho tanto na encarnação da comunidade sendo uma missionária de Jesus naquele contexto local como na proclamação clara e fiel do evangelho revelado nas Escrituras. 

Refletir na postura do cristão na universidade

Vários pastores e teólogos experientes afirmam que alguns cristãos, membros de igrejas se desviam na universidade por terem sua fé desconstruída em sala de aula. Há muito o que se pensar sobre isso mas basicamente por falta de compreender que sua fé em Cristo torna a mente cativa a Ele gerando uma cosmovisão cristã. 

O pastor, ao ter contato com ciências humanas (como qualquer outra) em uma Universidade, poderá sentir o drama e a oportunidade que os discípulos de Jesus tem quando ingressam em uma instituição de ensino superior.

Oportunidade e possibilidade de serviço e amor

Como pastor, convivi muitos anos com cristãos e ovelhas (e alguns fariseus) onde tive muitas alegrias mas numa universidade ao conviver com várias pessoas de diferentes contextos sócio-culturais e familiares e diferentes crenças, há ali uma oportunidade de ama-las e servi-las conforme a prática de Jesus ao demonstrar compaixão pelo próximo que não conhecia o seu evangelho (não estou aqui negando o aspecto que o evangelho nos ofende). 

Oportunidade de falar e testemunhar do evangelho de Jesus Cristo

A universidade é uma grande oportunidade para se falar do evangelho de Jesus Cristo em um contexto pluralista e bastante pós-moderno (de ateus a místicos). Claro que há uma sabedoria no compartilhar sobre o evangelho e cabe uma reflexão quanto ao cuidado com a postura (enfrentar e desrespeitar um professor não-cristão pode ser um desserviço ao invés de uma proclamação), sabedoria e também entender que Deus o colocou ali para fazer com excelência seu período de estudo (contando com o que a graça de Deus o dá - Rm 12:3) e que a academia é o lugar do contraditório (não estou dizendo que isso é testemunhar, pois discordo da frase pregue o evangelho , se possível use palavras, o que será assunto de outra postagem mas se tudo o que fazemos é para a glória de Deus  - 1 Co 10:31 - isso inclui nossas responsabilidades acadêmicas).

Assim, peço suas orações, amado leitor, para Deus abençoar essa nova etapa da minha peregrinação. Sou abençoado com o exemplo de vários irmãos na fé e pastores que servem Jesus em missão no ambiente acadêmico e a eles sou agradecido por encorajamento e conselhos.













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Já abriram as inscrições para a 4a conferência da Atos 29 no Brasil. Atos 29 é uma rede de plantação e revitalização de igrejas, sediada próximo a Dallas, Texas, EUA co-fundada por Mark Driscoll e presidida por Matt Chandler, ambos razoavelmente conhecidos no Brasil e com livros publicados em português. 


Desejo aqui encorajar você a se inscrever nesta conferência e vou apresentar razões para tal:

1 - Todo líder cristão necessita de aprendizado e reciclagem

O Aprendizado faz parte da caminhada daquele que ensina o Evangelho. A conferência da Atos 29 possibilita um ótimo tempo de aprendizado e encorajamento aos fundamentos do Evangelho e seu aprofundamento ou reciclagem no mesmo.

2 - Um tempo de renovo espiritual para o líder

A caminhada de um líder, seja pastor, plantador ou cooperador, tem o seu desgaste e suas pressões. A conferência é um tempo de renovo onde você poderá adorar Jesus e ouvir o Evangelho de forma que você seja renovado e encorajado a continuar sua missão junto com a igreja: pregar o Evangelho e fazer discípulos.

3 - Excelência no nível de palestrantes, sendo a maioria envolvida com a igreja brasileira

Todos os palestrantes são escolhidos tendo em vista sua experiência ministerial e sólida formação acadêmica e teológica. São todos conhecidos, alguns até internacionalmente. Esse ano, a conferência terá majoritariamente palestrantes brasileiros (o único americano serve no Brasil como missionário)  e embora aprendamos com irmãos de outras nacionalidades, eles são conhecedores da nossa realidade e dos nossos  desafios. 

Também receberemos Steve Timmis, diretor da Atos 29 na Europa Ocidental e Pastor/Plantador na Inglaterra. Steve escreveu um livro chamado Igreja Total, muito apreciado por aqueles que o leram e terá seu último lançamento publicado em português na conferência.

4 - Tema deste ano

Perseverança! Um tema fundamental no Evangelho e claramente exposto na carta aos Hebreus no Novo Testamento. Quem pastoreia e lidera deve ser encorajado que a perseverança e a permanência na fé deve ser aplicada ao ministério do Evangelho. Muitos desistem do ministério pastoral ou cristão por causa de inúmeros desgastes (estatisticamente comprovado). A conferência irá trabalhar este tema visando encorajar seus participantes a perseverar com base na esperança que Jesus trás com o Evangelho.

5 - Aumento do tempo de conferência

Anteriormente a conferência acontecia em dois dias. Este ano será em três dias aumentando o tempo de ensino e reflexão, comunhão e adoração a Jesus para o fortalecimento dos participantes.

6 - Localização

A conferência acontece anualmente na linda cidade do Rio de Janeiro, sede da final da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016, sendo este ano na Union Church no bairro da Barra da Tijuca próximo a um grande shopping com muitas opções para alimentação e hospedagem no bairro.

7 - Aquisição de material

Todo líder na igreja sabe que a leitura é fundamental no aprendizado do Evangelho e do exercício cristão na dinâmica da igreja. Na conferência editoras cristãs montam stands onde o participante terá acesso a saudável literatura cristã com bom desconto para complementar sua biblioteca pessoal. 

Se você ainda tem dúvidas, eis algumas questões para te encorajar mais:

1 - Não sou um plantador de igreja. Onde sou pastor ou líder, já é uma igreja estabelecida, dentro de uma tradição cristã já existente. Eu posso participar? A conferência irá me auxiliar?

Claro que sim! A conferência reúne uma diversidade de pastores e líderes de diversas denominações e tradições evangélicas, seja histórica-tradicional, seja independente ou missional. Lideres de igrejas já estabelecidas tem sido grandemente abençoados em ouvir o Evangelho e sobre sua direção na igreja para revitaliza-las sem abrir mão dos distintivos de sua tradição. 

2 - Nesta conferência vou aprender alguma técnica de crescimento de igreja para fazer minha igreja bombar numericamente? 

Não! Os articuladores da Conferência Atos 29 no Brasil entendem que a igreja deve ser dirigida pelo Evangelho pois este é que transforma vidas formando uma comunidade de discípulos de Jesus. Então, fundamentos teológicos são apresentados ao invés de uma técnica puramente pragmática. 

Por outro lado, nós participantes, não somos encorajados a fazer uma fortaleza de defesa crítica a tudo ao nosso redor. Somos encorajados a pregar o Evangelho e fazer discípulos e toda reflexão gira em torno disso (também na prática)

3 - Já conheço a fé reformada e leio livros nesta temática. A conferência ira me acrescentar?

Sim, irá! Pois além da teologia por trás da conferência, também reflete-se a prática de pregar o Evangelho e fazer discípulos. Na ultima conferência, por exemplo, o pastor Chan Kilgore pregou uma mensagem bíblica sobre guerra espiritual, um tema muito comum no evangelicalismo brasileiro. Ele foi muito bíblico (e reformado) ao tratar o tema mas também falando sobre opressão e como a guerra espiritual afeta o pastor (sem cair para a mística exagerada tão comum na igreja brasileira). Então, mesmo se você já é um conhecedor de temas e autores reformados, a conferência irá te ajudar na parte prática.

4 - Eu não sou calvinista mas me interesso em participar da conferência. Posso ir? Haverá uma tentativa de me catequizar se eu for?

Sim, claro que pode ir. A Atos 29 em seu site afirma ser Reformada e Missional, portanto ela compreende a Teologia Reformada como intérprete fiel das Escrituras. Mas sua preocupação maior é com o Evangelho no centro, portanto se você for crente irá aprender, ser encorajado e edificado. 

5 - Achei caro demais, sou pastor em um ambiente economicamente desfavorável. 

O preço é mais em conta do que conferência com os mesmos níveis de palestrante, portanto o preço está dentro do mesmo naipe de outros eventos para líderes cristãos.

O que você pode fazer é se inscrever rapidamente e ganhar um bom desconto do que se inscrever em cima da hora. Será um investimento singular em seu ministério.

6 - Desejo plantar igreja ou ter minha plantação financiada? Poderei ser recrutado?

Não posso responder isso. Não faço parte da A29 no Brasil, oficialmente falando. Como frequentador da conferência desde a primeira e apreciador do trabalho, encorajo você a conversar com Jay Bauman, diretor da Atos 29 no Brasil, um gringo com alma carioca (ele é flamenguista).

Espero ter encorajado você a participar. Vai ser um prazer te encontrar lá.

P.S: Escrevo esta postagem como encorajador e apreciador da conferência da Atos 29 no Brasil, participando desde a primeira. Não tenho vínculos oficiais com a organização, apenas caminho dentro de sua visão e valores.


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Eu tive uma terça-feira muito abençoada! Retornamos as aulas na ETR (Escola Teológica Reformada), uma escola teológica onde dou aula aqui no Rio de Janeiro, e foi um dia muito animado nesta instituição. Além do clima amistoso e agradável com os alunos e a equipe, tivemos o retorno do período da capela. Capela é um momento durante o intervalo que separamos para avisos e um momento devocional. Nesta devocional, o novo Deão ministrou aos nossos corações uma palavra em 1 Timóteo 4:16 "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina" onde salientou não só o conhecimento da verdade mas a aplicabilidade desta ao coração. 

Ele falou sobre a importância da vida devocional durante o período do seminário e sobre o perigo da apatia espiritual ao tratar a Bíblia e a Teologia apenas de forma "científica". Ele mesmo confessou que já passou por isso e na hora , minha memória se remeteu ao período em que estudei no seminário e vivi a mesma experiência de apatia espiritual em detrimento ao conhecimento somente.

Chamamos de Seminário Teológico, na tradição protestante/evangélica (outras tradições usam este termo também) o local onde os vocacionados ao ministério pastoral são treinados geralmente em um curso livre com formato de curso superior. Pode-se chamar também instituto bíblico, faculdade teológica, escola teológica. Algumas são reconhecidas pelo MEC e outras não. Os cursos podem durar de três a cinco anos.

Motivado pela palavra de terça-feira e pela paixão em treinar novos obreiros para a seara de Jesus é que escrevo esta postagem com alguns princípios que foram usados por Deus em minha vida para que eu não perdesse a alma nem a fé no seminário. Estes princípios podem ajudar seminaristas, pastores e também igrejas atentando para o cuidado de seu vocacionado.

1 - Mantenha uma comunhão regular com a comunidade do Evangelho

Este foi um conselho que ouvi de um mentor em período de apatia. Afirmar que devemos estar com a fé resolvida e depois servir a comunidade é cair no legalismo. A fé é re-vitalizada no contexto da comunidade.  O Espírito Santo usa a comunidade do Evangelho como corpo de Cristo para que o discípulo cresça e amadureça no seguimento do Mestre. 

Também, fortalecera o vocacionado passando por apatia ver a experiência de fé de irmãos da comunidade. Pois não fomos criados para o isolamento e sim para o mandato social/cultural de Deus. Ver Deus cuidando do seu povo é de grande encorajamento ao vocacionado em período de apatia.

2 - Mantenha uma vida regular de devocional: Leitura da Bíblia, a Palavra de Deus e oração

Por mais que a comunidade seja nutridora no aspecto do crescimento no Evangelho, a postura individual também é importante. Por mais agitada que seja a vida do vocacionado, este deve separar um tempo para orar e ler a Bíblia. Sem legalismo, cada um tem sua dinâmica de vida, mas um tempo tem que ser separado para a própria saúde espiritual. Não importa quantos capítulos, versículos, isso é individual mas é necessário o tempo. Um amigo pessoal elaborou o "projeto piedade" em sua comunidade onde orienta os discípulos durante 15 minutos por dia passar metade lendo a palavra e metade orando. Pode parecer pouco mas no contexto urbano em que ele está inserido é melhor que nada.

Existem casos e momentos onde a apatia é tão grande que não se consegue nem orar e ler a Bíblia. Ouvi de um professor sobre a Lectio Divina onde a leitura dos Salmos por exemplo em voz alta como oração pode aquecer novamente o coração. 

3 - Durante o curso mantenha comunhão com outros vocacionados onde haja encorajamento mútuo e prestação de contas.

Andar sozinho nunca faz bem e as vezes apresenta soberba. Ande em grupo. Tenha irmãos na fé que possam se encorajar mutuamente e te de um retorno de seu crescimento. Quando estudei no seminário haviam grupos de oração que foram uma benção enquanto estive ali.

4 - Seja mentoreado e ensinável

Alguns vocacionados estudam muito e conhecem bem a Teologia no aspecto acadêmico e com isso podem cair na soberba. Isso faz com que sua postura seja arrogante e e crítica para com os pastores e líderes. É importante que o vocacionado seja mentoreado, seja por seu pastor local, um professor ou deão, ou algum outro pastor ou líder. Um bom mentoreamento pode ser útil para livrar o vocacionado da apatia ou minimiza-la. 

5 - Mantenha uma vida de serviço

O tempo de seminário é um período de muita cobrança de leituras, estudos e trabalhos acadêmicos. Mesmo assim tenha uma vida de serviço na comunidade do Evangelho pois mostrará como os elementos da fé fazem sentido na vida da comunidade e dos discípulos de Cristo.

Ajude uma igreja pequena ou um trabalho começando, se for em igreja grande, ajude em uma área onde você tenha que lidar com pessoas, mas tenha algum canal para que o conhecimento adquirido seja aplicado. 

Não estou aqui querendo fomentar o legalismo ativista sem reflexão na ação pastoral muito comum na tradição histórica em que fui inserido mas sim um tempo de serviço com qualidade de reflexão, mas sendo serviço.

6 - Leia biografias e livros devocionais

É muito importante junto com os livros de Teologia e acadêmicos, também haver leitura de material devocional para aquecer o coração. Biografias são bem indicadas, o conhecido John Piper escreve várias, tendo sido publicadas em português. 

Dois livros pessoais de muito valor pessoal neste período foram: A Vida de David Brainerd, Jonathan Edwards , Editora Fiel e Piedade e Paixão, de Hernandes Dias Lopes, Editora Candeia assim como as biografias escritas por Piper.

7 - Ouça boas pregações

Seja humilde, você não descobriu a pólvora agora. Ouça pregadores bíblicos apaixonados como Augustus Nicodemus e o já citado Hernandes como também meu amigo Renato Vargens. Mas procure ouvir pregadores fiéis as Escrituras e não animadores de auditório como se tem muito por ai. Bons pregadores bíblicos apaixonados são usados por Deus para aquecerem o coração.

8 - Fuja de seminários liberais se puder

Muito já se foi escrito sobre isso mas o liberalismo contribui e muito para a apatia. Estudar é importante e ouvir todos os lados tem o seu lugar mas se pensando em seminário como um local para treinar pastores me pergunto qual a relevância do ensino liberal (não estou dizendo que não se deve ser conhecido para exercício dialético). Estudei com docentes liberais e sinceramente nada pode ser aproveitado no serviço ao povo de Deus na comunidade do Evangelho.

Sei que muitos não tem outra opção por questão denominacional ou geográfica mas se puder fuja, pois não acrescentará muito a nível de serviço.

9 - Sonde seu coração e seja honesto

Jeremias 17:9 nos revela que o nosso coração humano é enganoso. Calvino escreveu que nosso coração é uma fábrica de ídolos. Muitas vezes a apatia é produto da nossa idolatria em adorar o nosso eu, buscando no ministério uma auto-afirmação, as vezes idolatria ao outro buscando aprovação. Quando ídolos são identificados e focamos a nossa adoração em quem deve ser adorado, Jesus, então temos nosso relacionamento com Ele revitalizado.

10 - Somente a cruz tem poder: redescubra o Evangelho e use o período de apatia para isso

Só há poder na pessoa de Jesus. O Evangelho é muito mais poderoso do que todo conhecimento teológico e o verdadeiro conhecimento brota do Evangelho e conhecimento sem o poder do Evangelho será legalista e farisaico. Em período de apatia, todos os princípios mencionados são centrados no Evangelho pois só o Evangelho cura o coração dos ídolos e o conduz ao propósito principal de glorificar a Deus revelado na face de Cristo.

Concluindo

Sei que não é tarefa fácil e que o deserto é necessário para o crescimento. Mas vi os princípios acima serem benéficos em muitas vidas incluindo a minha. 

Compreendo também que há vocacionados personalistas que se engajam nos estudos teológicos sem a supervisão de sua comunidade tornando a vocação um projeto pessoal. Sem comunidade não tem como aspirar ao pastorado.

Compreendo também que há pastores imaturos e inseguros que, mesmo a comunidade reconhecendo o potencial do vocacionado, o deixa de lado sem mentoreá-lo e treina-lo ou até mesmo aproveita-lo em sua equipe por medo de perder o lugar e o espaço na liderança demonstrando nenhuma confiança na providência de Deus e no Espírito Santo que chama e vocaciona os líderes na distribuição dos dons.

Estes são fatores que devem ser considerados e na minha curta experiência docente já aconselhei alunos que me procuraram com essas crises (aqui cada caso é um caso e é sempre bom ouvir os dois lados) a mudarem de comunidade e o conselho sendo acatado só gerou crescimento e melhor treinamento ao aluno vocacionado. Como também há casos de o aluno ser exortado em relação ao problema estar nele.

Espero que esta postagem encoraje a sua vida e seus estudos. Deus te abençoe.


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        Eu não sei você, mas eu já fui muito ativo com evangelismo. Conheci o Senhor no início do ano 2000 em plena virada de século e comecei a compartilhar com fervor o Evangelho com meus amigos chegados. Depois me envolvi no ministério de evangelismo da igreja onde fui convertido e comecei ativamente a evangelizar o bairro como uma espécie de missionário urbano o que me levou a estudar teologia a nível universitário (cursar o seminário) três anos depois.

Estranhamente comecei a entrar em crise com o trabalho que realizava. Entregava muitos folhetos, distribuía Bíblias, visitava locais como hospitais e outros e não via frutos daquele trabalho (não estou escrevendo que sou contra distribuição de folhetos ou impactos evangelísticos somente pensando a respeito da estratégia e sua eficácia na evangelização).

Após cursar o seminário e servir mais a igreja na área do discipulado, educação e o próprio ministério pastoral junto com o início da docência teológica, comecei a novamente ter crise com o modelo presente de evangelismo e, apesar de estar batalhando para ser fiel as Escrituras e ao Evangelho de Cristo na proclamação e no treinamento pessoal, pouco estava efetivamente apresentando o Evangelho para não-cristãos.

Meditando na própria Escritura, no Novo Testamento e lendo alguns livros, comecei a perguntar se evangelismo ou evangelização (proclamação do Evangelho) era um evento realizado pela igreja local (ou instituição para-eclesiastica) ou um estilo de vida de todo crente em Jesus? Folhetos e impactos são realmente efetivos se não há relacionamentos?

Um livro que me ajudou a responder estas perguntas chama-se “Igreja Total” da autoria de Steve Timmis e Tim Chester. Ambos são pastores na Inglaterra plantando uma igreja muito eficaz em compartilhar o Evangelho (em um país onde a igreja protestante é maioria e foi muito efetiva no passado, mas que hoje passa por um processo veloz de secularização, inclusive dentro do próprio meio cristão). E também são professores de Teologia conhecidos por sua persuasão reformada. O livro foi publicado pela Editora Tempo de Colheita.

Neste livro o Evangelho e a comunidade do mesmo (Igreja) são apresentados como norteadores de toda a igreja e seus ministérios ou departamentos particulares. É mais do que um evento e sim um estilo de vida orgânico do discípulo de Jesus congregando na igreja.

No capítulo sobre Evangelismo, os autores apresentam os três fios do mesmo: Construir relacionamentos; Compartilhar o Evangelho; Apresentar as pessoas à comunidade (p. 60). Vamos pensar cada aspecto destes três fios entrelaçados que forma um fio mais forte e resistente.

Construir relacionamentos

Efetivamente se relacionar com não-cristãos foi uma prática do ministério de Jesus e de Paulo. Não se assentar na roda dos escarnecedores (Salmo 1) não é não se relacionar com não crentes e sim não adotar a filosofia de vida dos ímpios em ofender a Deus como a sua filosofia de vida ao escarnecer das coisas de Deus. Não é esse o ponto.

O cristão deve se relacionar de forma afetiva com não-cristãos na própria família, trabalho, local de estudos, cursos ou treinamentos, locais sociais como padarias, supermercados, restaurantes, clubes e outros ambientes vivenciais como vizinhança, condomínio e áreas onde haja interesse em comum.
Em meu ultimo ministério pastoral no interior do Rio tive o privilégio de me relacionar com pessoas não cristãs em um curso de inglês que fiz e quando jogava basquete uma vez por semana em um colégio da cidade.

Compartilhar o Evangelho

A frase “pregue o Evangelho, se possível use palavras” atribuída a Francisco de Assis, um cristão da era medieval, pode parecer ser bonitinha quando citada mas é errada (e até herética) na essência do conteúdo que a mesma carrega. O Evangelho revelado na Bíblia é para ser proclamado, pois a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17) (com essa percepção não estou desvalorizando o papel do testemunho pessoal no compartilhar o Evangelho. Uma pessoa que tem problemas morais públicos que ofendem o Evangelho e compartilham o mesmo podem prestar um dês-serviço ao Reino. Por outro lado, ninguém vai ser redimido simplesmente porque respeitamos e não furamos a fila do supermercado, foi isso que quis dizer).

O Evangelho deve ser compartilhado em sua integridade.
Algumas pessoas na comunidade tem a facilidade de falar. Outras que tem o chamado para pregar, como pastores, proclamam o Evangelho de forma pública nos cultos. Mas quando já existe um relacionamento afetivo com as pessoas, a abertura para o compartilhamento e a proclamação pessoal do Evangelho fica mais fácil até mesmo para quem é tímido (pois uma abordagem moralista pode gerar culpa em quem é tímido em sua personalidade por não ter habilidade para evangelizar em público, por exemplo).

Apresentar as pessoas à comunidade

Na comunidade, os não-cristãos veem como o Evangelho faz sentido na vida individual e também coletiva. Como aquelas pessoas se amam, suportam o sofrimento, lidam com suas falhas e resolvem suas tensões pessoais (porque a comunidade é constituída de pessoas regeneradas, mas que não deixaram de serem pecadoras em sua natureza). 

Há casos das pessoas começarem a frequentar a igreja por causa dos laços relacionais e depois abraçarem o Evangelho por obra da graça e nascerem de novo por obra soberana do Espírito Santo depois de ouvirem e entenderem o Evangelho.

Na comunidade, a distância da prática do evangelismo com discipulado (comum nas igrejas, desconhecidas no Novo Testamento) é minimizada. Na comunidade, evangelismo e discipulado acontecem de forma intercambiável.

Passos práticos:

Após conversarmos sobre conceitos, vamos pensar em passos práticos como isso pode ser feito. Não estou aqui passando uma receita de bolo, mas apenas refletindo sobre como podemos aplicar aquilo que escrevi acima.

1 – Construa relacionamentos com não-cristãos nos locais vivenciais onde Deus coloca você. Seja relacional. Sem culpa, de acordo com sua personalidade (alguns são extrovertidos e se relacionam facilmente e outros introvertidos, mas todos se relacionam, até os mais isolados, porque seres humanos são relacionais por natureza). Pode ser por frequentar os mesmos lugares ou por interesses e afinidades em comum como um esporte, um clube, um condomínio, seu trabalho ou local de estudo. Às vezes sua própria família. O relacionamento mostra que você é normal e tem interesses em coisas que não somente igreja ou Bíblia soando como prosélito ou fanático.

2 – Conheça e compartilhe o Evangelho. Não tenha medo de perguntas que você não saiba responder. O Evangelho se aplica a tudo. Mas você precisa conhece-lo (1 Coríntios 15:1-4). Uma boa Escola Dominical, frequência aos cultos e mesmo na internet tem um vasto material sobre. Bons livros podem ser uteis nesse sentido também. Quando há o relacionamento, você pode discernir a oportunidade de abrir a Bíblia e compartilhar com sabedoria sem afobação de falar logo na primeira oportunidade (que às vezes pode até acontecer).

3 – Um convite para a pessoa conhecer a comunidade é bem vindo. Até mesmo dúvidas que ela tiver e você não souber responder, as respostas podem ser buscadas na comunidade. O testemunho afetivo da comunidade é fundamental. Boa recepção, acolhimento e alegria impactam as pessoas que visitam por receberem um convite.

Se a comunidade tiver problemas nessa área será um estrago porque o visitante geralmente é muito observador até por ser um ambiente novo. Claro que se for o caso, paciência é preciso, pois como já escrevi a comunidade é composta por pessoas pecadores como eu e você (porém regeneradas idealmente falando, claro que há o joio e o trigo).

Lembre que na comunidade, o Evangelho faz sentido na vida tanto individualmente quanto coletivamente.
Por ultimo é necessário dizer que é de Deus todo o trabalho (Jonas 2:9). Mas Ele confia esta maravilhosa tarefa a nós, o seu povo, de se relacionar e compartilhar. Bom serviço ao Senhor e que Deus abençoe sua vida.

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Dois amigos meus, pastores, Renato Vargens e Wilson Porte, escreveram artigos sobre a compatibilidade e incentivo do calvinismo em relação a evangelização (para ler os artigos basta clicar em cima dos nomes citados). Desejo contribuir com o tema levantado por eles. 

Na tradição cristã que faço parte e em boa parte do evangelicalismo brasileiro há um mito de que a crença na doutrina bíblica da predestinação e da eleição enfraquece e esfria o evangelismo. Primeiro precisamos definir conceitos e posições antes da reflexão:

Por calvinismo entende-se as doutrinas da graça: o homem é insuficiente para salvar a si próprio, portanto é salvo pela livre e soberana graça de Deus mediante ao sacrifício substitutivo e penal de Jesus Cristo em favor dele (o eleito) de forma irresistível fazendo-o perseverar até o fim. Esse foi o ensino da Reforma Protestante e do movimento puritano compreendendo ser bíblico.

Então temos a ideia que a teologia bíblica norteia a prática e por evangelização entendemos como a proclamação do Evangelho.

Uma perda de compreensão dessas doutrinas fará a evangelização se tornar um proselitismo pragmático, panfletagem religiosa e centralidade de eventos para manipulação das emoções confundindo essas coisas com a proclamação do Evangelho que é a evangelização. 

Não estou dizendo que sou contra folhetos e estratégias de evangelização mas é muito comum membros de igreja fazerem confusão entre forma e conteúdo.

Conceitos definidos, faço coro com meus amigos pastores que provaram bíblica e historicamente que crer nas doutrinas da graça não esfriam o evangelismo, pelo contrário, fornecem o puro suco do Evangelho para a autêntica evangelização.

Exemplos históricos

Segue então alguns exemplos históricos que comprovam o que estou escrevendo. Poderia colocar alguns missionários que foram para outras pátrias porque não acredito na distinção missão e evangelismo como se um fosse fora do país ou em terra distante e outro dentro. Mas como a divisão é comumente usada então farei uso dela também.

David Brainerd (1718-1747) foi um missionário entre os índios na América do Norte. Foi expulso da faculdade de teologia por criticar a espiritualidade do diretor e mesmo assim não desistiu da carreira de pregar. Tem um diário compilado pelo pai de sua noiva, Jonathan Edwards (famoso pregador na América) publicado pela Editora Fiel. Este diário me foi muito encorajador quando era pastor solteiro com vinte e poucos anos. Li e reli algumas vezes e sua perseverança na evangelização é marcante. Após um período de tentativas frustradas, Deus manifestou avivamento entre os índios através da pregação de Brainerd. Morreu com apenas 29 anos engajado na obra de Deus após sofrer de doenças e depressão (pastores e crentes que não compreendem o fenômeno de pregadores e discípulos com depressão deveriam ler este livro para serem libertos de seu legalismo).




George Whitefield (1714-1770) foi convertido através do trabalho dos irmãos Wesley em Oxford. Trabalhava no bar de sua mãe e ganhou bolsa de estudos. Foi licenciado para pregar mas foi retaliado pela sua pregação vigorosa e apaixonada (chegava a chorar pregando pela sua paixão pelos perdidos).  Inaugurou o trabalho de pregar ao ar livre (historicamente falando) ganhando milhares de pessoas para Cristo como pregador itinerante na Grã-Betanha e na América. De tradição anglicana, foi co-fundador do metodismo, sendo um dos inauguradores da tradição do Metodismo Galês que depois veio a ser inserido no presbiterianismo. Além de pregar ao Ar livre, evangelizava também bêbados e alcoólatras nos becos de cidades inglesas.

Charles Spurgeon (1834-1892) foi um pastor e pregador batista alcunhado de o príncipe dos pregadores. Do interior , iniciou seu ministério com apenas 17 anos de idade indo para Londres com vinte e poucos anos. Edificou uma igreja que teve entre 5.000 membros e uns 10.000 ouvintes durante seu ministério (Tabernáculo Metropolitano). Pregador bem vigoroso e apaixonado, seus sermões são publicados e lidos por cristãos de várias partes do mundo até os dias de hoje. Além disso, fundou um seminário para treinar jovens pregadores e um orfanato. Foi um líder que influencia pregadores até os dias de hoje. 

J.C Ryle (1816-1900) foi um clérigo da Igreja da Inglaterra e chegou a ser bispo. Era um evangelista, digamos, dentro da própria igreja. Seus sermões e escritos (vários publicados em português cujo um deles tive o privilégio de prefaciar pela Editora Interferência) confrontam a religiosidade nominal e o cristianismo cultural sem uma transformação interna e um novo nascimento possível somente pela graça de Deus através da fé em Cristo. Ryle tem um discernimento muito perspicaz do Evangelho e da aplicação em seus ouvintes, muitos deles cristãos nominais meros membros de igreja e aplica de forma bem aguçada e prática porém com excelente conteúdo e análise bíblica.



Após ter provado que não há separação entre a crença nas doutrinas da graça e a evangelização, muito pelo contrário, o que há é o incentivo, o leitor pode me perguntar: mas hoje na contemporaneidade há pregadores que tem a mesma convicção e realizam um notável trabalho? Respondo com um sonoro sim e poderia colocar vários deles na postagem. 

Contemporaneidade

Assim como Wilson Porte mencionou um amigo meu no Brasil, americano, chamado Jay Bauman que dirige uma Rede de plantadores de igrejas internacional aqui no país, pretendo falar sobre o fundador desta rede.

Mark Driscoll é um americano que nasceu em 1970. Criado em Seatlle, WA, EUA, foi convertido a Cristo na faculdade após ler a Bíblia que ganhou de presente pois namorava a filha de um pastor que veio a se casar com ele depois. Fundou e plantou a Mars Hill Church, uma mega-igreja de linha reformada e missional que tem quase 15.000 membros e foi plantada em 1996. Iniciou no movimento emergente mas se afastou do mesmo pela fragilidade teológica. Começou a ser mentoreado por John Piper e Tim Keller e isso amadureceu sua compreensão teológica. Prega a Bíblia expositivamente e de forma bem contextualizada para seus ouvintes terem clareza do que está ensinando sem o "evangeliques". Também fundou o Resurgence, um ministério de recursos. E como escrevi, co-fundou a Rede Atos 29 que plantou mais de 400 igrejas nos EUA e mundo a fora (esta rede contém um missionário no Rio de Janeiro executando um excelente trabalho).



Poderia falar sobre vários obreiros no Brasil realizando um excelente trabalho. Entendo também não se ter uma igreja de linha reformada com essa quantidade de membros que tem na Mars Hill. Por outro lado, não querendo ser numerofóbico (pois não sou, pelo contrário) mas há o elemento da fidelidade que está em vários ministérios e o Senhor tem abençoado com notável crescimento tanto de membros quanto visibilidade. Pregadores reformados tem andado por todo país (por exemplo, o Pastor Renato Vargens) e blogs e sites tem dado tamanha visibilidade ao Evangelho chegando a vários jovens inclusive (por mais que eu compreenda que existem reformados e calvinistas que aplicam o que creem de forma disfucional gerando radicalismo e desequilíbrio, inclusive gerando soberba e altivez, o que contrária a própria afirmação bíblica sobre a graça de Deus).

Espero ter contribuído com a temática e que a ignorância sobre o tema diminua. O tempo, Deus usará para testar e aprovar.

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Segue uma lista dos 10 melhores livros que li em 2012:

10 - Percepção - J.C Ryle - Editora Interferência

Excelente conjunto de três sermões sobre o Evangelho de forma a confrontar a religiosidade nominal, ou seja, estar na igreja sem conhecer o Jesus que a igreja adora. Publicado pela jovem editora Interferência, tive o privilégio de escrever o prefácio e endossar a obra.



9 - POR QUE VIREI À DIREITA – Três Intelectuais Explicam sua Opção pelo ConservadorismoTRÊS ESTRELAS (2012).

São três ensaios bem gostosos de ler escritos por João Pereira Coutinho , Luiz Felipe Pondé (quem tenho acompanhado suas reflexões já algum tempo) e Denis Rosenfield explicando o porque da opção pelo conservadorismo político envolvendo filosofia política e debates morais. Li antes das eleições para reforçar minha consciência cidadã.

8 - Guia Politicamente Incorreto de Filosofia. Leya (2012). de Luiz Felipe Pondé

Novamente li Pondé agora sozinho nesta série de ensaios sobre a filosofia do cotidiano, uma de suas especialidades que o faz ser colunista na Folha de São Paulo e falar em programas da mídia. Com boa dose de ironia , Pondé denuncia a hipocrisia nossa de cada dia. Também uma leitura muito gostosa.


7 - Fé e descrença - Ruth Tucker - Mundo Cristão (2008)

Esta professora de disciplinas de Teologia e Missão aborda de forma honesta como cristãos membros de igreja, lideres e estudantes de teologia lidam com suas dúvidas sobre a veracidade do Evangelho e a própria existência de Deus. Não tão apologético e escrito com um tom mais pastoral, Tucker entrevista ex-membros que perderam a fé e estuda casos. Senti falta de uma direção em sua conclusão. Mas a leitura foi proveitosa.

6 - Bonhoeffer - Eric Metaxas - Mundo Cristão

Excelente e a mais completa biografia sobre o teólogo luterano e martir Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) mostrando a própria iniciativa do autor em pesquisar dados com amigos e parentes do falecido pastor. A grossura do livro pode assustar alguns mas a leitura é leve pois o livro foi muito bem escrito.


5 - A Missão do Povo de Deus: Uma Teologia Bíblica para a missão da igreja. Christopher Wright - Edições Vida Nova (2012)

Excelente livro que trabalha o conceito e a missão de Deus dentro de todo o escopo das Escrituras Sagradas salientando a sua autoridade no contexto da missão. O livro também apresenta a abrangência do Evangelho contrapondo os perigos de seu reducionismo. O autor é pupilo de John Stott então há uma firmeza sólida em sua escrita. O livro é uma opção para quem quer estudar teologia bíblica da missão sem perder o sustento da suficiência das Escrituras como outros autores desta linha que caem mais para a neo-ortodoxia mas também sem esquecer a temática ou a reduzindo como fundamentalistas.



4 - Igreja Vintage - Mark Driscoll - Editora Tempo de Colheita (2012)

Este livro foi publicado pela editora que coopero no conselho editorial. Mark Driscoll é conhecido autor e escreve com um equilibro de profundidade teológica com senso pastoral de aplicação daquilo que ele está escrevendo na vida das pessoas e um profundo discernimento de como a sua cultura pensa o tema. Neste livro o foco é a igreja. Então ele escreve um material de eclesiologia (estudo da igreja) podendo ser usado para treinamento de liderança. Apreciei muito.

3 - Jesus Vintage - Mark Driscoll - Editora Tempo de Colheita (2012)

Dobradinha junto com o livro acima, neste Driscoll aborda a cristologia (estudo sobre Jesus) de forma bem conectada sobre como a cultura contemporânea entende quem foi Jesus. Mesmo tendo discernimento cultural, Driscoll mantém uma firme abordagem bíblica em sua análise. Além do leitor contar com seu bom humor transparente em sua escrita o que torna a leitura agradabilíssima.



2 - Missional: Uma Jornada de Devoção a Missão - João Costa - Editora Interferência

Uma grande alegria é ter amigos. Outra é quando um deles lança um livro (com tema que você aprecia). É o caso de João Costa, jovem pastor e plantador de igrejas no Rio de Janeiro. Esta obra é um marco porque é a primeira escrita sobre o tão falado termo "missional" por um brasileiro e para brasileiros. O autor escreve com boa teologia bíblica (analisando várias porções da Escritura sem versículo solto mas dentro de um escopo da teologia bíblica)  interagindo com autores como Leslie Newbigin, Mark Driscoll, Steve Timmis, Tim Chester e John Piper, cita a boa e velha escola como por exemplo, Charles Spurgeon e interage com a sua situação vivencial com muita propriedade. Contém muita piedade e paixão característico do ministério e da pregação do autor. Um balsamo para encorajar na missão de Deus.




1 - A Cruz do Rei - Tim Keller - Edições Vida Nova

Tim Keller dispensa apresentações. Um expositor muito lúcido do Evangelho e chamado de C.S Lewis do século XXI. Apresenta muito bem o Evangelho em um local predominantemente cético como a ilha da Manhattan em Nova Iorque nos EUA. Neste livro ele expões o Evangelho de Marcos de forma a diferenciar o Evangelho da religião enquanto obediência para ser aceito por Deus. Mostra também a postura serva e encarnacional do Senhor Jesus Cristo, um Rei que vem para servir. Excelente leitura para o natal. Para qualquer tempo.